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Endocrinologia1 outubro 2026

Retatrutida reduz em mais de 18% o peso de pacientes obesos com DM2

Ensaio de fase 3 também aponta melhora da HbA1c e mais eventos gastrointestinais
Por Luciano Lucas

O ensaio de fase 3 TRIUMPH-2 avaliou a retatrutida semanal em adultos com obesidade e diabetes tipo 2. Publicados no The Lancet no último dia 29, os dados mostram perda de peso de até 18,8%, contra 5,1% com placebo. O efeito veio com a melhora do controle glicêmico, em perfil que costuma responder menos a agonistas de GLP-1.

Realizado em 92 centros de oito países, incluindo o Brasil, o estudo randomizou 1.152 participantes para placebo ou retatrutida nas doses de 4 mg, 9 mg ou 12 mg por semana por 80 semanas. Com IMC médio de 38,2 kg/m², 92% já usavam antidiabéticos orais, sinal de doença estabelecida. O ensaio foi financiado pela Eli Lilly.

Agonista dos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon, a retatrutida ainda não tem registro na Anvisa nem aprovação de outra agência reguladora internacional.

Mulher aplicando caneta de GLP-1 no abdome

Dados sobre a perda de peso nos pacientes com IMC de 35 ou mais

Com IMC de 35 kg/m² ou mais, a redução chegou a 21,9% com 12 mg, contra 3,8% no placebo, o que indica resposta mais acentuada.

Com 12 mg, 75% perderam ao menos 10% do peso, contra 21% no placebo. Segundo os autores, perdas acima de 10% a 15% podem modificar a evolução do diabetes. O resultado ficou abaixo dos 25% do TRIUMPH-1, em pessoas sem diabetes.

Tratamento melhora controle glicêmico e marcadores cardiometabólicos

A HbA1c caiu entre 1,38% e 1,50%, contra 0,45% no placebo. Com isso, até 72% atingiram HbA1c de 6,5% ou menos e 29% no placebo.

O tratamento reduziu PAS e triglicerídeos, em até 9,7 mmHg e 35,6% com 12 mg.

Eventos adversos gastrointestinais predominam nos grupos tratados

A diarreia atingiu 34% dos tratados e náuseas 28%, contra 13% e 8% no placebo, em geral de intensidade leve a moderada. A interrupção por eventos adversos ou morte chegou a 12% com 9 mg, contra 5% no placebo. Todas as mortes foram consideradas pelo investigador como não relacionadas à intervenção do estudo.

Hipotensão atingiu até 6% e disestesia até 7% dos tratados, contra menos de 1% no placebo para os dois eventos. De acordo com o estudo. nenhum caso de disestesia foi grave. Os três casos de pancreatite adjudicada ocorreram com retatrutida.

Sem comparador ativo, o estudo não confrontou a retatrutida com outras terapias. A perda de peso a longo prazo segue desconhecida.

A Dra Priscila Aroucha, endocrinologista da Afya, destaca que, até então, a tirzepatida havia apresentado a maior perda de peso observada em estudos com pessoas com obesidade e diabetes tipo 2, chegando a 14,7% no SURMOUNT-2. Agora, a retatrutida alcança 18,8%, com melhora adicional do controle glicêmico e de outros marcadores cardiometabólicos, ampliando as perspectivas de tratamento para essa população.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Luciano Lucas

Luciano Lucas

Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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