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Endocrinologia24 setembro 2026

Obesidade avança entre adultos na América Latina

Brasil foi o país com maior aumento da obesidade entre os 17 países latino-americanos avaliados
Por Gabriela Costa

Pesquisadores do Global Burden of Disease Study 2023 (GBD) analisaram a prevalência de sobrepeso e obesidade e a carga atribuível ao índice de massa corporal elevado na América Latina entre 1990 e 2023. O estudo, publicado no The Lancet Regional Health Americas, reuniu estimativas por país e sexo para crianças, adolescentes e adultos. A análise dimensiona a evolução do excesso de peso e suas repercussões para os sistemas de saúde.

As estimativas foram organizadas para crianças de 5 a 14 anos, adolescentes e jovens adultos de 15 a 24 anos e adultos com 25 anos ou mais. O GBD 2023 incorporou 70 novas fontes de microdados e um novo relatório. A carga do IMC elevado foi estimada por anos de vida ajustados por incapacidade, os DALYs, em 26 desfechos.

Saiba mais: Diagnóstico, estadiamento e manejo da obesidade: síntese de recomendações atuais

homem obeso com fita métrica

Adultos concentram alta prevalência de excesso de peso

Em 2023, cerca de 274 milhões de adultos latino-americanos apresentavam sobrepeso ou obesidade, equivalentes a 72,1% dessa população. Desse total, 127 milhões tinham obesidade. O Chile registrou a maior prevalência padronizada por idade entre adultos, de 79,9%, enquanto a Colômbia apresentou o crescimento percentual mais rápido do excesso de peso adulto entre 1990 e 2023, de 68,9%.

Entre crianças, o México apresentou a maior prevalência padronizada de sobrepeso e obesidade, de 28,4%. Entre adolescentes e jovens adultos, o Chile alcançou 51,9%. A prevalência de obesidade nesse segundo grupo cresceu 346,3% no período, resultado que os autores associam a uma pressão futura crescente sobre a capacidade dos serviços de saúde.

O avanço ocorre em um cenário no qual emagrecimento, alimentação e atividade física ganharam maior visibilidade. Ainda assim, a obesidade segue uma trajetória de crescimento que envolve fatores que vão além das escolhas individuais. O próprio estudo do GBD relaciona essa tendência na América Latina à inatividade física associada à urbanização e à transição nutricional, marcada pela substituição de alimentos integrais e in natura por opções ultraprocessadas.

Uma revisão publicada na Nature Metabolism amplia essa perspectiva e aponta que o cenário latino-americano resulta da interação entre diferentes determinantes. Entre eles estão o ambiente físico, a exposição alimentar, a desigualdade social, fatores culturais, interesses econômicos e políticos, comportamentos relacionados ao contexto, genética e acesso limitado ao conhecimento científico. 

Saiba mais: Rastreio, diagnóstico e estadiamento da obesidade no adulto: nova diretriz ADA

Panorama Brasileiro

No Brasil, o estudo mostra avanço da obesidade entre adultos com 25 anos ou mais. A prevalência triplicou em 30 anos, passando de 7,8% em 1990 para 27,7% em 2023. O crescimento coloca a obesidade em uma parcela maior da população adulta e amplia a exposição a enfermidades crônicas associadas ao excesso de peso.

Entre os 17 países latino-americanos avaliados, o Brasil apresentou o maior crescimento da prevalência de obesidade. Quando sobrepeso e obesidade são considerados em conjunto, o excesso de peso passou de 40,3% para 66,8% no mesmo período. Na prática, cerca de dois em cada três brasileiros estavam acima do peso considerado normal para a altura em 2023.

IMC elevado responde por milhões de DALYs

O IMC elevado foi responsável por 15,8 milhões de Disability-Adjusted Life Years (DALYs) na América Latina em 2023, evidenciando uma importante perda de anos de vida saudável associada ao excesso de peso. Diabetes mellitus, doença isquêmica do coração e doença renal crônica foram os três principais componentes dessa carga em ambos os sexos. Esse cenário também chama atenção para o impacto multidimensional das doenças crônicas. No diabetes, por exemplo, o cuidado não se restringe às repercussões metabólicas: o sofrimento emocional relacionado à convivência e ao manejo da doença também integra a carga vivenciada pelos pacientes.

Os autores destacam a necessidade de ampliar a coleta de medidas de IMC em crianças de 5 a 14 anos. Para a prática médica, os resultados oferecem um panorama regional da progressão do sobrepeso e da obesidade e da carga associada ao IMC elevado.

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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

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Gabriela Costa

Estagiária de conteúdo da Afya. Graduanda em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense.

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Referências bibliográficas

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