A Anvisa informou, em nota de 21 de outubro, que a ashwagandha não possui registro no país. A erva não consta entre os ingredientes permitidos em suplementos alimentares, e sua fabricação, venda e uso são vedados. O alerta respondeu à repercussão de um caso de lesão hepática grave no Reino Unido.
Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), uma britânica de 44 anos consumia gomas de ashwagandha diariamente desde julho de 2025. Um ano depois, a mulher apresentou insuficiência hepática aguda, o que desencadeou a necessidade de transplante. Após a cirurgia, a paciente sofreu dano neurológico por complicações, embora essas não comprovem relação causal com o suplemento.
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Lesão hepática associada à ashwagandha soma 25 casos em revisão de escopo
A ashwagandha (Withania somnifera) é uma erva ayurvédica utilizada como adaptógeno para auxiliar no manejo do estresse e da ansiedade, além de favorecer o sono e possivelmente a função cognitiva e o desempenho físico.
Entretanto, apesar dos benefícios descritos em estudos de curta duração (250–600 mg/dia por 6–12 semanas), há relatos de hepatotoxicidade e alterações tireoidianas, exigindo cautela, especialmente em doses elevadas, uso prolongado ou na ausência de acompanhamento médico.
Nesse sentido, uma revisão de escopo publicada em maio de 2026 na Cureus reuniu 25 pacientes de 13 publicações e descreveu um padrão clínico recorrente: a lesão hepática costuma surgir após semanas de uso, com icterícia e prurido. Além disso, o padrão colestático predominou em 44% dos casos, o que reforça a inclusão da erva no diagnóstico diferencial da colestase.
Larissa Oenning, médica da Afya, alerta que “muitos pacientes não relatam o uso de suplementos ao serem questionados sobre medicações de uso contínuo, por isso é importante perguntar ativamente sobre o consumo recorrente de chás, gomas, cápsulas e fitoterápicos. Deve-se estar atento a alterações hepáticas inexplicadas, tanto de padrão hepatocelular quanto colestático, especialmente quando há relação temporal com o início de um produto. Além disso, a percepção desses produtos como “naturais”, associada à facilidade de acesso e à composição com múltiplos ingredientes, pode comprometer a segurança e dificultar a identificação do agente causador.”
Ainda sobre a revisão, houve também um único transplante por insuficiência hepática aguda, o de uma americana de 41 anos. Ademais, três óbitos ocorreram em pacientes com cirrose prévia, o que sugere maior risco de desfechos graves em indivíduos com doença hepática preexistente. A base americana LiverTox considera a ashwagandha causa provável de lesão hepática clinicamente aparente, embora rara.
Oenning reforça também que “o médico deve se atentar a sinais de gravidade, como icterícia, alteração do nível de consciência, sangramentos e piora importante das enzimas hepáticas, que exigem avaliação imediata e, diante de sinais de insuficiência hepática aguda, encaminhamento urgente a um centro especializado em transplante hepático.”
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Quando considerar hepatotoxicidade na hepatite sem causa definida?
O estudo da Cureus recomenda investigar o uso de suplementos em toda hepatite ou colestase sem explicação. Por ser diagnóstico de exclusão, a anamnese deve registrar marca, formulação, dose e datas de uso. A conduta proposta inclui suspender a erva e classificar cedo o padrão bioquímico da hepatotoxicidade.
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Anvisa exige ingredientes autorizados em suplementos alimentares
Pela regra sanitária brasileira, suplementos alimentares só podem conter ingredientes autorizados pela Anvisa e são vetados de promover promessas de cura, tratamento ou prevenção de doenças. Segundo a nota da agência, mesmo itens regularizados podem causar dano se usados fora das instruções.
Para pacientes com cirrose ou hepatopatia crônica avançada, a revisão e o LiverTox recomendam evitar a ashwagandha. Após um episódio de hepatotoxicidade, os autores orientam não reintroduzir a erva nem trocar de marca.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Giovanna Del Carlo
Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas
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