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Cirurgia6 janeiro 2025

Seguimento após tratamento não operatório de traumatismo esplênico

Revisão sistemática avaliou 17 estudos realizados entre janeiro de 2010 a março de 2023, envolvendo pacientes vítimas de traumatismo abdominal com lesão esplênica.
Por Jader Ricco

As lesões esplênicas são as mais comuns em traumatismos abdominais contusos. Hoje em dia, o tratamento não operatório (TMO) é uma modalidade bem aceita para pacientes estáveis, desde que possam ser acompanhados em centros de trauma com CTI, exames laboratoriais e de imagem disponíveis 24 horas e profissionais capacitados.  

Uma das modalidades do TMO inclui a embolização arterial em casos de identificação de blush (presença de contraste fora dos vasos em exame de imagem). 

Entretanto, mesmo saindo do risco de gravidade após TMO, pacientes com lesão esplênica podem desenvolver lesões vasculares como pseudoaneurismas e fístulas arteriovenosas que, com o tempo, podem crescer e, até mesmo, romper, causando sangramentos importantes que podem levar a óbito. 

Não existe um consenso na literatura sobre quais pacientes teriam indicação de propedêutica de imagem, qual o tempo ideal e qual o melhor exame nessa investigação. 

Visando uma tentativa de estabelecer um consenso no seguimento dos pacientes vítimas de traumatismo abdominal com lesão esplênica, uma revisão sistemática conduzida por Olsen et. al. avaliou 17 estudos realizados entre janeiro de 2010 a março de 2023, envolvendo 3392 pacientes. 

 

Discussão sobre o intervalo de exames  

Dentre os 17 estudos analisados na revisão de Olsen et. al., houve grande variação de intervalo entre o exame de imagem realizado na admissão do paciente e a segunda, de acompanhamento, que ocorreu entre 12 horas e 74 semanas.  

Em sete estudos, a indicação de um novo exame de imagem ficava a critério do cirurgião. Em nove estudos, as instituições tinham protocolo e a diferença de intervalo entre o primeiro e segundo exame de imagem variou de 12 horas a 6 meses. 

Os exames de imagem usados nos estudos foram TC, ultrassom com contraste por microbolhas (CEUS – contrast enhanced ultrasound) e ultrassom normal. Foram identificados 154 pacientes com lesões vasculares ou sangramento que aconteceram em intervalos compreendidos entre 24 horas e 56 dias pós-trauma. 

Além disso, dois estudos analisados compararam TC com CEUS e identificaram resultados semelhantes nos dois exames. A recomendação foi a realização de CEUS, mas o resultado negativo desse último exame pode ser questionado em alguns casos. Entre os 17 estudos, as recomendações foram variadas com quatro indicando CEUS, três preferindo ultrassom (normal) e cinco favoráveis à TC. 

Avaliando a realização dos exames, quatro não indicaram seguimento de rotina, sugerindo exames de imagem direcionados pela clínica dos pacientes. Outros cinco recomendaram seguimento com imagem apenas para lesões a partir de Grau II. 

Veja mais: Manejo da via aérea difícil do trauma – Portal Afya

 

O que podemos concluir? 

Podemos identificar que os exames mais recomendados nos estudos analisados por Olsen et.al. foram a TC e CEUS com eficácias semelhantes. Considerando a ausência de radiação no CEUS, esse exame tem um grande papel na população pediátrica.  

Entretanto, precisamos considerar que, em grande parte dos hospitais no Brasil, é mais “fácil” e rápida a realização de TCs do que CEUS.  

No que concerne ao tempo, essa lacuna também continua incerta. Apesar de grande parte dos pseudoaneurismas terem sido identificados entre 2 a 6 dias pós-trauma, ainda não foi possível determinar com clareza o tempo ideal de um segundo exame de imagem. 

Dessa forma, a experiência dos grandes centros de trauma ainda guia as indicações de seguimento pós-trauma esplênico e mais estudos precisam ser realizados para melhor estabelecimento da propedêutica ideal.

 

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Referências bibliográficas

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