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Cirurgia2 janeiro 2025

Manejo da Via Aérea Difícil do Trauma

O manejo da via aérea no cenário de trauma não permite o luxo de tempo para uma avaliação completa das vias aéreas
Por Jader Ricco

Traumas graves podem requerer manejo rápido e avançado das vias aéreas, seja por obstrução direta com instabilidade respiratória ou traumatismo cranioencefálico (TCE) grave. Além das dificuldades e desafios do dia a dia, no trauma os problemas são potencializados por sangramentos, secreções, além da limitação de mobilização cervical para proteger a coluna cervical.

As vias aéreas são a primeira e primordial parte na avaliação do ABCDE do trauma e, nessas situações, medidas rápidas precisam ser tomadas com objetivo de evitar a rápida deterioração do paciente e evolução desfavorável.

O conhecimento e desenvolvimentos de habilidades no manejo da via aérea no atendimento pré-hospitalar ao trauma é crucial e pode ser fator decisivo na sobrevivência do paciente.

Metodologia

Avaliamos artigo publicado em novembro de 2024 no Journal of Trauma and Acute Care Surgery em 2024, com o objetivo de apontar aspectos cruciais no manejo da via aérea em situações de emergência no atendimento pré-hospitalar ao trauma.

Discussão: Manejo da Via Aérea Difícil do Trauma

Após avaliar e identificar que o paciente precisa de acesso avançado à via aérea, o médico envolvido no atendimento precisar agir rápido. Devido as limitações do ambiente, às situações inerentes ao trauma com sangramento, secreções e limitações à mobilização cervical, associado ao curto período de tempo nas situações de emergência, toda via aérea no trauma é considerada difícil.

Eugene V et al. citam manobras básicas iniciais para abrir a via aérea como a elevação da mandíbula (jaw thrust) associada ao uso de cânulas orofaríngeas ou nasofaríngeas. Caso o paciente mantenha sem oxigenação, está indicado a ventilação bolsa-válvula-máscara com oxigênio suplementar. Essa manobra quando realizada adequadamente, preferencialmente por 2 socorristas, tem bons resultados na manutenção da oxigenação e saturação do paciente. Quando a ventilação bolsa-válvula-máscara não puder manter a saturação ou outros fatores estiverem envolvidos, como comprometimento da via aérea, métodos invasivos devem ser iniciados.

Ao ser necessário método invasivo avançado, um dos mais simples e que não exige tanta experiência é a máscara laríngea, que tem a vantagem de rápida introdução, mas que tem como uma das principais complicações a aspiração de conteúdo gástrico. Ainda assim, Eugene V et al. reforçam que, no atendimento pré-hospitalar ao trauma, o primordial é manter a via aérea patente e a oxigenação, e não, necessariamente, o estabelecimento de uma via aérea definitiva.

Leia também: Critério HEAVEN para intubação traqueal 

Outro método invasivo e considerado uma via aérea definitiva, pois mantem um balonete insuflado com proteção da via aérea é a intubação orotraqueal (IOT). A despeito de não ser prioridade, a via aérea definitiva pode ser necessária em várias situações no trauma, como impossibilidade de oxigenação por outros meios e transportes prolongados. Mas o autor cita que, nos últimos anos a tendência é que a via aérea no trauma seja manejada de forma menos invasiva possível.

Quando nenhum método tiver sucesso no manejo da via aérea, a alternativa será a via aérea cirúrgica. A via de preferência é a cricotireoidostomia que pode ser cirúrgica ou punção. A cricotireoidostomia por punção é um método bem mais simples do que a cirúrgica, entretanto, tem limitações de poder ser usada por um curto período apenas.

Conclusão

O manejo da via aérea no atendimento pré-hospitalar ao trauma é desafiador. Entretanto, a ansiedade e insegurança nesse atendimento deve ceder lugar ao racional e esquematização do atendimento. É preciso ter em mente que o primordial é manter a via aérea patente da forma mais simplificada e rápida possível. Nem sempre a IOT vai ser primordial no atendimento pré-hospitalar e o uso eficiente de manobras menos complexas pode ser crucial para salvar o paciente.

Saiba mais: Intubação submentoniana: uma técnica pouco utilizada

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Referências bibliográficas

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