A apendicite aguda sem sinais típicos (com sinais iniciais equívocos) cria um dilema diagnóstico porque a tomografia computadorizada pode confirmar a doença, mas seu uso precoce também pode ampliar a exposição à radiação e o risco de sobrediagnóstico. O Adult Appendicitis Score foi proposto para estratificar o risco e selecionar quem precisa de imagem, e o estudo avaliou se a mudança do escore ao longo de algumas horas poderia refinar essa decisão.
A análise utilizou dados do braço de observação do ensaio DIAMOND, no qual pacientes adultos com suspeita de apendicite, sintomas com menos de 24 horas, proteína C reativa abaixo de 100 mg/L e AAS intermediário foram acompanhados antes da definição da conduta. O objetivo foi verificar se a variação do AAS durante a observação poderia identificar grupos de baixa, intermediária e alta probabilidade e reduzir ainda mais a necessidade de exames de imagem.
A observação breve reduz a dependência de imagem
No protocolo original, pacientes do grupo de observação breve passavam por nova avaliação clínica e laboratorial após seis a oito horas, com recálculo do AAS. Escores em queda permitiam alta se nenhuma outra doença fosse suspeitada, enquanto valores que não diminuíam e permaneciam abaixo de 16 levavam à realização de imagem abdominal. AAS igual ou superior a 16 indicava alto risco e encaminhamento para apendicectomia de urgência sem imagem.
O estudo atual reanalisou 88 participantes do braço de observação, dos quais 83 tinham dados completos. Vinte e cinco apresentaram AAS final igual ou superior a 16 e foram operados sem imagem, todos com apendicite confirmada; 31 fizeram exame de imagem após o novo escore e 27 receberam alta sem imagem, sem retorno por apendicite nos primeiros 30 dias.
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Como a variação do AAS estratifica o risco?
A variação do AAS foi calculada pela diferença entre o escore final e o inicial. O desempenho diagnóstico dessa medida apresentou área sob a curva ROC de 0,932, comparada a 0,629 para o AAS basal, 0,936 para o AAS final e 0,796 para a variação da proteína C reativa, mostrando desempenho próximo ao escore final e superior ao valor inicial.
Com base nas curvas ROC, os autores definiram três faixas. A variação menor ou igual a menos dois caracterizou baixa probabilidade, valores entre menos um e zero formaram a faixa intermediária e aumento igual ou superior a um definiu alta probabilidade. Para o ponto de corte de variação igual ou superior a menos um, a sensibilidade foi de 97,9% e a especificidade de 80%; para variação igual ou superior a um, a sensibilidade foi de 70,8% e a especificidade de 94,3%.
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A maioria ficaria fora da imagem abdominal pela nova classificação
Na faixa de baixa probabilidade, 29 pacientes foram classificados e apenas um apresentou apendicite, com valor preditivo negativo de 97%. Na faixa intermediária, 18 pacientes foram classificados, dos quais 13 tiveram apendicite. Entre os 36 pacientes do grupo de alta probabilidade, 34 tiveram a doença, resultando em valor preditivo positivo de 94%.
Com a nova classificação, apenas os 18 pacientes da faixa intermediária seriam candidatos a imagem abdominal. Isso corresponderia a 22% da amostra, frente aos 31 pacientes, ou 37%, efetivamente submetidos a imagem no protocolo original, diferença estatisticamente significativa. Ao final, 48 dos 83 participantes tiveram apendicite confirmada histologicamente.
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Se o risco se redefine, a reavaliação seriada orienta a conduta
Os achados apoiam o uso da reavaliação seriada após seis a oito horas como alternativa à imagem imediata em adultos inicialmente classificados no grupo intermediário do AAS. A mudança do escore durante a observação pode separar pacientes com baixa probabilidade, nos quais o risco de perder o diagnóstico foi pequeno, daqueles com alta probabilidade, nos quais a chance de apendicite foi elevada.
A interpretação deve permanecer restrita à população estudada. Foram incluídos apenas pacientes com menos de 24 horas de sintomas, proteína C reativa abaixo de 100 mg/L e escore inicialmente intermediário, e a amostra analisada foi pequena. Os próprios autores destacam a necessidade de confirmação em estudo maior, preferencialmente prospectivo e com critérios de inclusão menos restritivos.
Para a prática clínica, o Adult Appendicitis Score seriado oferece uma estratégia de observação estruturada para casos iniciais e equívocos, com potencial para tornar a indicação de imagem mais seletiva. O estudo não estabelece uma diretriz, mas sugere que a evolução do escore ao longo de poucas horas pode acrescentar informação diagnóstica relevante e apoiar a decisão entre alta, imagem e tratamento cirúrgico.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.
Autoria

Jader Ricco
Editor médico na Afya. Graduação em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Residencia em cirurgia geral pela Santa Casa de Belo Horizonte e em cirurgia oncológica pelo Instituto Mário Penna. Mestre em ciencias aplicadas à cirurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
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