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Cirurgia22 outubro 2026

Adult Appendicitis Score (AAS) melhora diagnóstico da apendicite

Adult Appendicitis Score seriado pode selecionar adultos sem sinais típicos para observação e exames de imagem.
Por Jader Ricco

A apendicite aguda sem sinais típicos (com sinais iniciais equívocos) cria um dilema diagnóstico porque a tomografia computadorizada pode confirmar a doença, mas seu uso precoce também pode ampliar a exposição à radiação e o risco de sobrediagnóstico. O Adult Appendicitis Score foi proposto para estratificar o risco e selecionar quem precisa de imagem, e o estudo avaliou se a mudança do escore ao longo de algumas horas poderia refinar essa decisão. 

A análise utilizou dados do braço de observação do ensaio DIAMOND, no qual pacientes adultos com suspeita de apendicite, sintomas com menos de 24 horas, proteína C reativa abaixo de 100 mg/L e AAS intermediário foram acompanhados antes da definição da conduta. O objetivo foi verificar se a variação do AAS durante a observação poderia identificar grupos de baixa, intermediária e alta probabilidade e reduzir ainda mais a necessidade de exames de imagem. 

A observação breve reduz a dependência de imagem 

No protocolo original, pacientes do grupo de observação breve passavam por nova avaliação clínica e laboratorial após seis a oito horas, com recálculo do AAS. Escores em queda permitiam alta se nenhuma outra doença fosse suspeitada, enquanto valores que não diminuíam e permaneciam abaixo de 16 levavam à realização de imagem abdominal. AAS igual ou superior a 16 indicava alto risco e encaminhamento para apendicectomia de urgência sem imagem. 

O estudo atual reanalisou 88 participantes do braço de observação, dos quais 83 tinham dados completos. Vinte e cinco apresentaram AAS final igual ou superior a 16 e foram operados sem imagem, todos com apendicite confirmada; 31 fizeram exame de imagem após o novo escore e 27 receberam alta sem imagem, sem retorno por apendicite nos primeiros 30 dias. 

 

Saiba mais: Manejo atual da apendicite em adultos o que você precisa saber 

Como a variação do AAS estratifica o risco? 

A variação do AAS foi calculada pela diferença entre o escore final e o inicial. O desempenho diagnóstico dessa medida apresentou área sob a curva ROC de 0,932, comparada a 0,629 para o AAS basal, 0,936 para o AAS final e 0,796 para a variação da proteína C reativa, mostrando desempenho próximo ao escore final e superior ao valor inicial. 

Com base nas curvas ROC, os autores definiram três faixas. A variação menor ou igual a menos dois caracterizou baixa probabilidade, valores entre menos um e zero formaram a faixa intermediária e aumento igual ou superior a um definiu alta probabilidade. Para o ponto de corte de variação igual ou superior a menos um, a sensibilidade foi de 97,9% e a especificidade de 80%; para variação igual ou superior a um, a sensibilidade foi de 70,8% e a especificidade de 94,3%. 

 

Saiba mais: Quais são as recomendações da SAGES para o manejo da apendicite? 

A maioria ficaria fora da imagem abdominal pela nova classificação 

Na faixa de baixa probabilidade, 29 pacientes foram classificados e apenas um apresentou apendicite, com valor preditivo negativo de 97%. Na faixa intermediária, 18 pacientes foram classificados, dos quais 13 tiveram apendicite. Entre os 36 pacientes do grupo de alta probabilidade, 34 tiveram a doença, resultando em valor preditivo positivo de 94%. 

Com a nova classificação, apenas os 18 pacientes da faixa intermediária seriam candidatos a imagem abdominal. Isso corresponderia a 22% da amostra, frente aos 31 pacientes, ou 37%, efetivamente submetidos a imagem no protocolo original, diferença estatisticamente significativa. Ao final, 48 dos 83 participantes tiveram apendicite confirmada histologicamente. 

 

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Se o risco se redefine, a reavaliação seriada orienta a conduta 

Os achados apoiam o uso da reavaliação seriada após seis a oito horas como alternativa à imagem imediata em adultos inicialmente classificados no grupo intermediário do AAS. A mudança do escore durante a observação pode separar pacientes com baixa probabilidade, nos quais o risco de perder o diagnóstico foi pequeno, daqueles com alta probabilidade, nos quais a chance de apendicite foi elevada. 

A interpretação deve permanecer restrita à população estudada. Foram incluídos apenas pacientes com menos de 24 horas de sintomas, proteína C reativa abaixo de 100 mg/L e escore inicialmente intermediário, e a amostra analisada foi pequena. Os próprios autores destacam a necessidade de confirmação em estudo maior, preferencialmente prospectivo e com critérios de inclusão menos restritivos. 

Para a prática clínica, o Adult Appendicitis Score seriado oferece uma estratégia de observação estruturada para casos iniciais e equívocos, com potencial para tornar a indicação de imagem mais seletiva. O estudo não estabelece uma diretriz, mas sugere que a evolução do escore ao longo de poucas horas pode acrescentar informação diagnóstica relevante e apoiar a decisão entre alta, imagem e tratamento cirúrgico. 

 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos. 

Autoria

Foto de Jader Ricco

Jader Ricco

Editor médico na Afya. Graduação em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Residencia em cirurgia geral pela Santa Casa de Belo Horizonte e em cirurgia oncológica pelo Instituto Mário Penna. Mestre em ciencias aplicadas à cirurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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