A visão é um dos sentidos mais complexos do corpo humano, e preservar sua função exige precisão diagnóstica, domínio tecnológico e habilidade cirúrgica refinada. É nesse ponto de encontro que se consolida a Oftalmologia, uma das especialidades médicas de maior impacto na autonomia e na qualidade de vida do paciente.
No Brasil, a área ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento populacional e do aumento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que podem comprometer a saúde ocular. Dados da Demografia Médica no Brasil indicam que o país possui cerca de 16,7 mil oftalmologistas, embora haja forte concentração desses profissionais em grandes centros urbanos. Essa distribuição desigual cria oportunidades profissionais, especialmente em regiões com menor oferta de especialistas.

O que faz o oftalmologista no dia a dia
O oftalmologista atua na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças que afetam o sistema visual e os anexos oculares. Na prática clínica, a rotina inclui consultas ambulatoriais, exames diagnósticos e procedimentos terapêuticos.
Entre as condições mais frequentes atendidas estão:
- catarata
- glaucoma
- retinopatia diabética
- degeneração macular relacionada à idade
- erros refrativos (miopia, hipermetropia e astigmatismo)
Segundo a oftalmologista Dra. Alléxya Marcos, a rotina pode variar bastante de acordo com a área de atuação. “No dia a dia, o oftalmologista realiza consultas clínicas, avalia queixas visuais e executa exames detalhados no consultório. Também pode emitir laudos de exames complementares, como retinografia, tomografia de coerência óptica e campo visual, além de realizar procedimentos ambulatoriais, como aplicações de laser”, explica.
Dependendo do perfil profissional, o trabalho também pode envolver atividade cirúrgica. “Muitos oftalmologistas incluem na rotina cirurgias como catarata, retina, glaucoma ou procedimentos refrativos”, acrescenta.
Como funciona a formação em Oftalmologia
Para se tornar oftalmologista no Brasil, é necessário concluir a graduação em Medicina e ingressar em um programa de residência médica de acesso direto, com duração média de três anos.
Durante esse período, o residente passa por treinamento intensivo em diferentes áreas da especialidade, incluindo oftalmologia clínica, emergência oftalmológica, cirurgia ocular, retina e vítreo, glaucoma, córnea e doenças externas, além de neuro-oftalmologia.
No primeiro ano, o foco costuma estar na base clínica e no aprendizado dos principais exames oftalmológicos. Nos anos seguintes, aumenta a participação em procedimentos e cirurgias.
Para a Dra. Alléxya, a residência tem papel central na consolidação da formação. “Durante a graduação, a carga horária em oftalmologia costuma ser relativamente curta. Por isso, a residência é fundamental para que o médico domine técnicas como biomicroscopia, gonioscopia e avaliação de fundo de olho, além de desenvolver habilidade cirúrgica”, afirma.
Ela também ressalta a importância de compreender o paciente de forma integrada. “O olho não deve ser avaliado de forma isolada. Muitas doenças oculares estão relacionadas a condições sistêmicas, como diabetes, hipertensão ou doenças neurológicas, e essa correlação precisa sempre ser considerada”, diz.
Durante esse período, o residente passa por treinamento intensivo em diferentes áreas da especialidade, incluindo:
- oftalmologia clínica
- emergência oftalmológica
- cirurgia ocular
- retina e vítreo
- glaucoma
- córnea e doenças externas
- neuro-oftalmologia
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Mercado de trabalho e oportunidades na Oftalmologia
O mercado de trabalho para oftalmologistas é considerado estável e diversificado. O especialista pode atuar em clínicas privadas, hospitais públicos ou privados, centros cirúrgicos especializados, consultório próprio e até em iniciativas de telemedicina voltadas para triagem ocular.
O envelhecimento populacional influencia diretamente a demanda pela especialidade. Doenças como catarata e degeneração macular estão associadas ao avanço da idade e exigem acompanhamento especializado.
Além disso, o Brasil apresenta crescimento expressivo na realização de cirurgias oftalmológicas. Entre 2010 e 2021, por exemplo, o número de cirurgias de catarata realizadas pelo SUS aumentou cerca de 80%, refletindo maior investimento público na área e ampliação da assistência ocular.
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Na avaliação da Dra. Alléxya, o mercado apresenta realidades distintas conforme a região do país. “Existe uma concentração maior de oftalmologistas nas grandes capitais, especialmente no Sudeste, o que torna o mercado nesses locais mais competitivo para quem está iniciando”, explica.
De acordo com pesquisa do Portal Salário, em 2026, a remuneração para Médico Oftalmologista pode variar entre o piso salarial mínimo de R$ 7.502 e o teto salarial de R$ 14.190. A variação salarial depende principalmente das funções desempenhadas, segmento da empresa, localidade, formação, experiência na função e política de cargos, salários e carreiras da empresa.
Perfil do profissional que se destaca na Oftalmologia
A Oftalmologia exige um conjunto específico de habilidades clínicas e técnicas. Entre as características mais valorizadas estão precisão cirúrgica, coordenação motora refinada, atenção a detalhes microscópicos e facilidade para lidar com equipamentos tecnológicos.
Para quem está iniciando na especialidade, a prática cirúrgica também representa um desafio importante. No início da carreira, um dos principais desafios é conseguir manter a chamada “mão cirúrgica”. A cirurgia oftalmológica exige muita precisão e treinamento contínuo, por isso é fundamental que o médico consiga se inserir em serviços que tenham um bom volume cirúrgico. Manter uma frequência adequada de cirurgias é essencial para preservar e aprimorar a habilidade técnica ao longo do tempo, segundo a especialista.
“Outro fator decisivo é a afinidade com o tipo de prática da especialidade. O primeiro ponto é entender se o estudante realmente se identifica com a prática da especialidade. A oftalmologia envolve muito exame detalhado, uso de equipamentos e procedimentos delicados, então é importante gostar desse tipo de trabalho”, afirma a oftalmologista.
Perspectivas futuras da especialidade
O avanço tecnológico vem transformando rapidamente a Oftalmologia. Ferramentas de inteligência artificial já começam a ser utilizadas na análise de imagens de retina e na triagem de doenças como retinopatia diabética e glaucoma.
“A oftalmologia é uma das especialidades médicas mais impactadas pela tecnologia”, ressalta a Dra. Alléxya. “Hoje contamos com exames de alta resolução, como a tomografia de coerência óptica, que permite visualizar estruturas microscópicas da retina e do nervo óptico de forma não invasiva. Isso transformou completamente a capacidade de diagnóstico precoce de várias doenças”, diz.
Segundo ela, as cirurgias também evoluíram significativamente. “Com técnicas minimamente invasivas, microscopia avançada e equipamentos de alta precisão, conseguimos aumentar a segurança dos procedimentos e melhorar os resultados visuais dos pacientes”, afirma.
Nesse cenário, a combinação entre conhecimento clínico sólido, habilidade cirúrgica e domínio tecnológico tende a se tornar cada vez mais decisiva para os profissionais que desejam se destacar na especialidade.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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