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Carreira26 agosto 2025

Afya Summit - Interpretar e aplicar tecnologias como competência clínica essencial

Entenda como Inteligência Artificial, ferramentas digitais e simulação clínica já estão transformando a medicina
Por Redação Afya

As oportunidades e os desafios que a medicina enfrentará nos próximos anos e como se preparar para o futuro da profissão pautaram os debates da segunda edição do Afya Summit, realizado em 23 de agosto de 2025, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

Produzido pela Afya, maior hub de educação e soluções para a prática médica no Brasil, o evento trouxe uma experiência imersiva por meio da narrativa: “Do futuro para o presente – como transformar a prática médica hoje”. A programação incluiu debates sobre temas essenciais como Tecnologia, Inovação e Humanização, Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde, Comunicação Médica, entre outros.

Para continuar a promover a discussão iniciada no Afya Summit, o Portal Afya traz uma série de conteúdos relacionados às temáticas e o prepara para viver a nova experiência da Medicina em 2026.

O futuro chegou

No filme Crimes do Futuro (2022), de David Cronenberg, corpos humanos se transformam em verdadeiros laboratórios vivos, onde tecnologia e biologia se misturam em performances cirúrgicas. Embora seja uma ficção provocativa, a obra levanta uma reflexão cada vez mais real para a medicina contemporânea: o futuro da prática clínica dependerá da capacidade do médico de compreender e interagir com tecnologias avançadas.

Já agora, no presente, ferramentas como inteligência artificial (IA), ultrassonografia à beira do leito (POCUS), testes rápidos de diagnóstico (POCT) e simulações clínicas de alta fidelidade já expandem a capacidade diagnóstica e de tomada de decisão do médico contemporâneo. Exemplos recentes mostram o alcance dessa revolução.

Na China, o Agent Hospital — primeiro hospital do mundo operado inteiramente por inteligência artificial, com 42 médicos e 4 enfermeiros virtuais — anunciou em maio de 2025 ter realizado mais de 10 mil pacientes virtuais em apenas alguns dias, um volume que profissionais humanos levariam cerca de dois anos para alcançar. O resultado impressiona tanto pela escala quanto pela precisão diagnóstica de 93%, mas também acende um alerta: sistemas de IA atuando sem supervisão humana clara levantam dilemas éticos e riscos à segurança do paciente.

Em países como o Reino Unido, robôs e assistentes digitais já reduzem a sobrecarga burocrática em hospitais, liberando tempo do profissional para o contato humano que nenhuma tecnologia substitui. O médico que aprende a interpretar dados gerados por essas ferramentas não apenas aumenta sua precisão clínica, mas também se torna protagonista na integração entre ciência e tecnologia, evitando que a máquina se sobreponha ao julgamento médico.

Saiba mais: Série Afya Summit: inovação, saúde e empreendedorismo

Digital literacy como base do futuro

Um estudo recente entre estudantes de saúde evidenciou que a alfabetização digital não é mais opcional: é essencial para acessar dados atualizados, interpretar imagens, entender os riscos do uso da IA e participar da automação clínica com responsabilidade. Uma revisão ampla identificou 62% de tópicos digitais considerados cruciais em currículos médicos, incluindo ética, telemedicina e IA.

IA como aliada, não substituta

O consenso na literatura médica é claro: a IA tem potencial para aprimorar o diagnóstico, personalizar tratamentos e automatizar tarefas administrativas, mas não substitui o julgamento clínico nem a empatia humana. Estudos recentes mostraram que IA combinada à mente humana supera os resultados isolados, desde leitura de exames de imagem até notas clínicas automatizadas.

Além disso, erros de IA “alucinatória” (quando a ferramenta inventa termos ou achados inexistentes) reforçam que a validação humana continua indispensável.

Ferramentas práticas já incorporadas à clínica

  • POCUS (Ultrassom à beira do leito): já é rotina em emergências, UTI e medicina de família. Treinar médicos em sua interpretação rápida e segura requer prática e disciplina
  • Testes rápidos (POCT): permitem decisões urgentes com dados imediatos e integração com prontuário eletrônico — mas dependem de médicos aptos a interpretar resultados contextualmente
  • Simulação clínica: recomendada pela OMS como forma de reduzir erros médicos e acelerar aprendizado em alta complexidade

Integração curricular urgente

Apesar desses avanços, a digitalização ainda é tímida nos currículos médicos. Educadores em todo o mundo defendem a inserção de módulos sobre IA, saúde digital e ética desde cedo na formação acadêmica. Um projeto europeu chamado SUSA visa capacitar profissionais com competências digitais avançadas desde a graduação até o ensino superior.

Leia ainda: CBMFC 2025: Inteligência artificial na APS, presente e futuro

Competências do futuro

De acordo com revisões sistemáticas recentes, médicos devem desenvolver:

  1. Capacidade de avaliar e contextualizar resultados de IA (letramento digital);
  2. Consciência dos vieses, limitações e validação de sistemas automatizados;
  3. Facilidade para trabalhar em equipe multidisciplinar (incluindo engenheiros de IA);
  4. Maturidade ética para decidir quando confiar em um algoritmo e quando questioná-lo.

Incluindo a tecnologia

Mais do que dominar uma máquina, o médico do século XXI precisa de letramento digital, empatia digital e competência ética tecnológica. Saber interpretar dados, identificar erros de IA e usar o ultrassom ou testes rápidos no leito são hoje diferenciais clínicos, não opcionais. O futuro da prática médica requer proficiência digital e consciência de que tecnologia serve como extensão — nunca substituição — do cuidado humano.

Para entender e aplicar tecnologia com julgamento, segurança e responsabilidade, médicos precisam estar preparados. Esse é o caminho para transformar o potencial da inovação em cuidado real, eficaz e digno.

 

Afya Summit: Viva agora a medicina do amanhã

Promovido pela Afya, maior hub de educação e soluções para a prática médica no Brasil, o evento propõe uma experiência imersiva por meio da narrativa: “Do futuro para o presente – como transformar a prática médica hoje”. A programação inclui debates sobre temas essenciais como Tecnologia, Inovação e Humanização, Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde, Comunicação Médica, entre outros.

Veja o que rolou na edição de 2025.

 

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