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Carreira29 março 2026

A IA ameaça o lugar do médico como referência em saúde?

IA não se destina a substituir médicos humanos, mas sim a auxiliá-los a fazer diagnósticos mais precisos e a reduzir erros
Por Redação Afya

Fato já bem difundido é o impacto transformador da inteligência artificial (IA) no campo médico. Mas, mais do que uma promessa futura, essa transformação já está acontecendo, de forma prática, no dia a dia dos atendimentos. A IA está revolucionando a Medicina ao fornecer diagnósticos mais precisos, planos de tratamento personalizados e novas percepções sobre doenças e tratamentos, com impacto direto na prática clínica e nos desfechos dos pacientes.

A dúvida, então, está deixando de ser se ela vai mudar a medicina, e passando a ser como isso muda o papel do médico. Na prática, a IA funciona como uma ampliação da capacidade clínica, aumentando a precisão e contribuindo para a redução de erros

Estudos recentes mostram que, embora modelos de IA já apresentem desempenho semelhante ao de médicos não especialistas em algumas tarefas, ainda permanecem inferiores a especialistas experientes, reforçando seu papel como uma ferramenta complementar e não substitutiva.

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IA é como andar com um gênio ao nosso lado 

O avanço das ferramentas de inteligência artificial na medicina pode ser comparado à evolução dos aplicativos de navegação. Antes, sem o Google Maps, era necessário memorizar ruas e ligar para obter informações sobre o trânsito. Hoje, com dados em tempo real e sistemas inteligentes, a navegação se tornou mais simples e segura.

Da mesma forma, a IA está cada vez mais presente na prática médica, oferecendo respostas personalizadas e precisas para questões clínicas complexas. É como ter um segundo cérebro disponível o tempo todo. Isso se traduz, na prática, na capacidade de analisar grandes volumes de dados clínicos em segundos, identificando padrões que seriam difíceis de perceber apenas com a análise humana.

Essa mudança de paradigma está transformando a maneira como a medicina é praticada.

A IA também funciona como uma extensão do conhecimento médico. Ela pode responder a perguntas e ajudar em áreas que ele não domina, como termos jurídicos ou veterinária. Isso é útil para médicos recém-formados ou em áreas onde há falta de expertise.

Outra aplicação é como um estudante de medicina, resumindo informações do paciente e auxiliando no gerenciamento do atendimento, permitindo uma maior eficiência e produtividade na prática clínica.

Além disso, a IA não ajuda só a decidir melhor, também faz o médico ganhar tempo. Ela consegue atuar diretamente na redução da carga burocrática e no gerenciamento de informações clínicas, liberando tempo do médico para atividades de maior valor, como a interação com o paciente.

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Risco de perder o emprego 

A inteligência artificial não vai tirar empregos, mas vai diferenciar profissionais. Por exemplo, um patologista que utilize IA e possa reduzir erros em até 85% será mais valorizado que um que não utilize. Isso tende a se tornar cada vez mais comum.

Além disso, a IA pode tornar os diagnósticos mais objetivos. Em cardiologia, por exemplo, um ECG pode sugerir um infarto grave, mas nem sempre é fácil interpretá-lo corretamente. Com o auxílio de aplicativos de IA, os médicos podem obter diagnósticos mais precisos e rápidos, o que já é uma realidade disponível.

Em áreas como radiologia e patologia, Jeong et al (2025) mostram reduções significativas no tempo diagnóstico, em alguns casos superiores a 90%, associadas ao uso de IA. Heinrichs et al (2025) também comentam que, na prática, a incorporação da IA está mais associada à redefinição de papéis do que à substituição profissional, exigindo novas competências digitais e maior capacidade de interpretação crítica dos resultados gerados pelos algoritmos.

A IA também funciona como uma camada adicional de segurança. Ela ajuda a garantir que nenhum aspecto importante do cuidado seja negligenciado com o paciente, especialmente diante do crescente volume de conhecimento médico disponível. Isso inclui, por exemplo, ajudar a reduzir erros na prescrição de medicamentos, garantindo que todas as etapas da corrente terapêutica sejam seguidas corretamente, evitando falhas na administração e garantindo os melhores resultados para o paciente. ]

Nem tudo são vantagens

A literatura também aponta limitações que não podem ser ignoradas. Martínez-Martínez et al (2025) destacam questões como viés algorítmico, privacidade de dados e necessidade de transparência nas decisões que ainda são barreiras relevantes para sua adoção plena e segura na prática clínica.

Além disso, do ponto de vista do paciente, a confiança ainda tende a ser maior em médicos humanos, especialmente em decisões complexas, destacando o valor do julgamento clínico e da relação médico-paciente que permanece central na prática médica. (Guo e Chen, 2025)

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#Matéria atualizada pela editora-médica Juliana Karpinski.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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Referências bibliográficas

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