A ausência de supra-ST no ECG não descarta uma oclusão coronariana que exige reperfusão urgente. Para ajudar a reconhecer esses casos, pesquisadores da Suécia, com participação da USP, desenvolveram um modelo de IA que analisa o traçado junto com idade e sexo. Publicado em maio de 2026, o estudo testou a ferramenta em dados suecos e brasileiros. A pergunta agora é se ela também pode ajudar durante o atendimento real. O estudo foi publicado na Nature Communications em 27 de outubro de 2026.
A proposta aborda casos de oclusão aguda que não apresentam supradesnivelamento típico do segmento ST. Nesses pacientes, a interpretação do traçado pode dificultar o reconhecimento precoce da necessidade de reperfusão.

Aprendizado profundo analisou mais de 540 mil ECGs
O algoritmo utilizou 540.372 ECGs de 225.824 pacientes atendidos em emergências suecas. Entre os registros, 1.583 correspondiam a infarto por oclusão e 4.279 a infarto sem oclusão aguda, classificados com informações do cateterismo.
Nos testes internos, a estatística C foi igual ou superior a 0,95 para identificar infarto por oclusão. Com taxa de falsos positivos de 5%, a sensibilidade alcançou 87%. O sistema também estimou o território coronariano envolvido, embora com desempenho variável entre artérias.
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E quando o modelo foi testado no Brasil?
Em 401 ECGs do InCor, o modelo apresentou estatística C de 0,83 para diferenciar infarto por oclusão de controles. O valor foi de 0,96 nos casos com supra-ST e de 0,82 nos casos sem supra-ST.
Esses números medem a capacidade de separar os grupos, não a porcentagem de diagnósticos corretos. A indicação da artéria responsável ainda não passou por validação externa específica.
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Uma IA para infarto no ECG já foi autorizada?
Sim, nos Estados Unidos. Em setembro de 2026, a FDA autorizou a Queen of Hearts, da Powerful Medical. Segundo a fabricante, ela sinaliza no ECG padrões de infarto com supra-ST ou equivalentes para avaliação cardiológica urgente.
A Queen of Hearts enfrenta um desafio clínico semelhante, mas é outra ferramenta. O modelo estudado por Uppsala e USP foi treinado para identificar infarto por oclusão e sugerir qual artéria está envolvida. A autorização da FDA não se aplica a ele.
E a ferramenta deste estudo, já pode ser usada?
Ainda não. A pesquisa analisou ECGs já registrados e não demonstrou se usar o modelo durante o atendimento antecipa a reperfusão ou melhora os resultados dos pacientes.
Há mudança no atendimento?
Ainda não. O estudo analisou ECGs já registrados e não testou se usar a ferramenta durante o atendimento reduz o tempo até a reperfusão ou melhora os resultados dos pacientes. O InCor pretende aprofundar os testes em condições reais. Por enquanto, o modelo segue experimental e a decisão continua com a equipe médica.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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