Logotipo Afya
Anúncio
Cardiologia15 agosto 2023

Quais cuidados devemos ter após a realização de angioplastia coronariana?

A angioplastia é procedimento realizado em ambiente hospitalar, geralmente com o paciente acordado e com anestesia local.

Por Isabela Abud Manta

A angioplastia coronariana é o procedimento realizado via cateterismo com objetivo de tratar a obstrução coronariana, ou seja, restabelecer o fluxo da artéria coronária. Inicialmente, esse tratamento era realizado apenas com balão, sem colocação de nenhum material de forma definitiva na artéria do paciente. 

A partir da década de 1990 surgiram os stents, que levaram a melhora importante da eficácia do procedimento e redução de complicações. No início, eram utilizados stents metálicos e após surgiram os stents farmacológicos, ainda mais eficazes. Além disso, houve grande desenvolvimento na terapia farmacológica e dispositivos auxiliares, o que trouxe resultados melhores para os pacientes. 

Saiba mais: Como eu trato pacientes com FA e angioplastia?

Quais cuidados devemos ter após a realização de angioplastia coronariana?

Quais cuidados devemos ter após a realização de angioplastia coronariana?

Tratamento com stents 

Assim, atualmente a maior parte dos pacientes com obstrução coronariana realiza tratamento percutâneo com colocação de stents em detrimento do tratamento cirúrgico. As principais indicações do procedimento são o infarto agudo do miocárdio e casos selecionados de pacientes com doença coronariana estável.  

Pacientes que realizam angioplastia com stent necessitam de dupla antiagregação plaquetária com aspirina e um inibidor de ADP, como clopidogrel, ticagrelor e prasugrel. O tempo da dupla antiagregação varia a depender do tipo de stent e dos riscos isquêmico e de sangramento do paciente. 

A angioplastia é procedimento realizado em ambiente hospitalar, geralmente com o paciente acordado e com anestesia local. A via de acesso pode ser femoral ou radial, sendo que atualmente a radial é preferida, pela menor chance de complicações. É feita punção da artéria e colocação de um dispositivo chamado introdutor, por onde é introduzido o material para injeção do contraste e visualização das coronárias e para realização da angioplastia propriamente dita. A duração do procedimento varia, a depender da complexidade do caso.  

Leia também: Qual o melhor antiagregante no longo prazo em pacientes diabéticos com stent?

E quais cuidados são necessários após a angioplastia coronariana? 

As complicações são pouco frequentes e a principal é o sangramento, já que a via de acesso é arterial e, caso o paciente não esteja ainda em uso de dupla antiagregação plaquetária, esta é iniciada antes ou durante o cateterismo. Durante o exame o paciente também recebe heparina não fracionada, o que aumenta o risco de sangramento. 

Após seis horas do procedimento, é feita a retirada do introdutor e colocado um curativo compressivo no local de punção. O paciente deve permanecer então em repouso absoluto do membro inferior por pelo menos 6 horas, caso a via tenha sido femoral, e do membro superior por, pelo menos, uma a duas horas caso a via tenha sido radial. Após o repouso absoluto, o paciente deve permanecer em repouso relativo e com curativo compressivo por 12 a 24 horas. Esse tempo pode variar entre os serviços. 

Todo paciente deve ser avaliado em relação a presença de sintomas, principalmente dor torácica, e realizar um eletrocardiograma após o procedimento, que deve ser comparado ao eletrocardiograma prévio, no intuito de detectar alterações isquêmicas. 

De forma geral, o paciente que realizou angioplastia eletiva pode receber alta com segurança após pelo menos seis horas de observação, já que a maioria das complicações ocorre neste período. Caso o paciente tenha função renal previamente alterada, disfunção ventricular importante, a angioplastia tenha sido de local crítico ou tenha ocorrido alguma complicação na punção, deve ficar mais tempo internado. Caso o paciente tenha realizado angioplastia por infarto agudo do miocárdio, deve permanecer, pelo menos, 12 a 24 horas internado após o procedimento, monitorizado com oximetria, cardioscopia e medidas de pressão arterial seriadas. 

É importante reforçar ao paciente que, em casa, não deve realizar esforço com o membro puncionado por no mínimo 72 horas, ou seja, o paciente deve evitar subir escadas, carregar peso ou realizar outras atividades mais intensas neste período. Esse tempo varia de acordo com os serviços, com alguns orientado maior tempo de repouso (ente sete e dez dias). A aderência à terapia antitrombótica é extremamente importante e também deve ser reforçada para evitar trombose aguda ou subaguda do stent, que pode gerar infarto com complicações graves.   

Anúncio

Assine nossa newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Ao assinar a newsletter, você está de acordo com a Política de Privacidade.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Referências bibliográficas

Compartilhar artigo