Pesquisadores do Clalit Health Services e do Sapir College, em Israel, não associaram a reposição hormonal a mais infarto, AVC, trombose ou morte. O estudo observacional incluiu mais de 52 mil mulheres de 45 a 59 anos e será apresentado nas Scientific Sessions 2026 da American Heart Association, em Chicago. Segundo o autor principal, o receio de dano cardíaco está entre os motivos mais comuns de recusa da terapia hormonal na menopausa.
A pesquisa divulgada incluiu as vias oral, transdérmica e em gel, com seguimento médio de 12 anos. Os desfechos foram semelhantes entre formulações e vias.

Eventos cardiovasculares atingem 4,4% das mulheres em terapia hormonal na menopausa
Infarto, AVC ou doença cardíaca relacionada ocorreram em 4,4% das usuárias e em 4,6% das não usuárias. As taxas próximas não indicaram aumento de eventos cardiovasculares com o tratamento.
A mortalidade por todas as causas antes dos 80 anos atingiu 1,3% das usuárias e 1,2% das não usuárias, proporções consideradas semelhantes. O tromboembolismo venoso ocorreu em 0,33% de cada grupo, sem sinal de maior risco tromboembólico associado à terapia na população estudada.
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Como o estudo observacional pareou os dois grupos de mulheres?
Os pesquisadores usaram registros do Clalit de 52.330 mulheres sem histórico de doença car, trombose ou câncer. Metade iniciou reposição hormonal, enquanto a outra metade passou por consulta ginecológica sem iniciar o tratamento.
O pareamento considerou idade, IMC, fatores de risco cardiometabólico, tabagismo e nível socioeconômico. O acompanhamento médio foi de 12 anos, com seguimento de até 23 anos.
Por ser observacional, o desenho não comprova causalidade e não avalia fatores como exercício físico, dieta ou gravidade dos sintomas. A classificação considerou só a primeira formulação usada.
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Estudos anteriores com formulações hormonais antigas apresentaram resultados divergentes
Ensaios randomizados anteriores associaram a reposição a eventos cardiovasculares adversos, mas com resultados divergentes.Boa parte desses dados veio de formulações hormonais antigas, em doses maiores e iniciadas tardiamente após a menopausa.
O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas recomenda iniciar o tratamento até 10 anos após a menopausa e antes dos 60 anos. Em novembro de 2025, a FDA iniciou a retirada de determinados alertas de tarja preta das bulas desses medicamentos.
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Para Stacey Rosen, ex-presidente da American Heart Association, os achados podem qualificar a conversa sobre riscos e benefícios da reposição hormonal. Os dados do estudo observacional seguem preliminares até a publicação do manuscrito completo com revisão por pares.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Luciano Lucas
Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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