A terapia de reposição hormonal (TRH) é um termo amplo que engloba uma variedade de tratamentos hormonais usados principalmente para aliviar os sintomas associados à transição da menopausa em seu tempo natural. Em contraste, o termo terapia de reposição hormonal é mais apropriado para a reposição de hormônios em mulheres com insuficiência hormonal em comparação com mulheres saudáveis, como aquelas com insuficiência ovariana prematura (IOP). Na prática, os dois termos são frequentemente usados como sinônimos.
Os principais sintomas associados à menopausa são sintomas vasomotores (SVM), alterações menstruais, distúrbios do sono, sintomas geniturinários, dores musculares e articulares. Além disso, muitas mulheres descrevem o surgimento de sintomas de humor e cognitivos, fadiga, palpitações, alterações na constituição física e disfunção sexual. A transição para a menopausa pode durar vários anos, sendo que a maioria das mulheres apresenta sintomas e para 25% das mulheres os sintomas são clinicamente graves.
Metodologia:
Esse é um estudo que foi publicado em 2025 na revista Clinical Endocrinology onde os autores avaliaram e sintetizaram as evidências existentes sobre as indicações clínicas, a eficácia e a segurança da THM, além de explorarem as limitações dos dados disponíveis com objetivo de fornecer um resumo das evidências atuais relacionadas à THM.
A revisão realizada concentra-se em desfechos relacionados à THM em mulheres com menopausa em tempo natural, incluídas em estudos observacionais, ensaios clínicos randomizados (ECRs) e dados agrupados de meta-análises e revisões.
Resultados encontrados e discussão:
O impacto da THM difere significativamente entre grupos demográficos. As recomendações de consenso atuais para a THM enfatizam a importância de personalizar o tipo, a via, a dose e a duração da terapia de acordo com as necessidades individuais e a relação risco/benefício, por meio da tomada de decisão compartilhada. O impacto da THM pode mudar ao longo do tempo. Os dados atuais sobre THM sustentam seus benefícios no tratamento dos sintomas da menopausa e sugerem uma possível janela de oportunidade na meia-idade para benefícios à saúde óssea. As limitações das evidências atuais evidenciam desigualdades na saúde da menopausa e ressaltam a necessidade de mais pesquisas.
Conclusão:
Esta revisão recomenda o uso individualizado da THM para indicações bem definidas, reconhecendo seu valor no alívio dos sintomas da menopausa e nos benefícios esqueléticos para muitas mulheres na meia-idade. A THM pode ser utilizada enquanto os benefícios superarem os riscos, por meio da tomada de decisão compartilhada. Há evidência clínica insuficiente para apoiar o uso de longo prazo da THM em alguns grupos contemporâneos de mulheres que utilizam THM na prática clínica.
A THM não é adequada, eficaz, necessária ou segura para todas as mulheres. Existem outros tratamentos para auxiliar mulheres que apresentam sintomas da menopausa. A otimização do estilo de vida deve ser considerada a base do cuidado da menopausa e da saúde pós-menopausa.
Autoria

Letícia Japiassú
Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.
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