A reposição de fluidos é uma das intervenções mais frequentes na Unidade de terapia intensiva (UTI) e a primeira a ser realizada no paciente em choque. Embora haja um consenso sobre a necessidade da administração de fluidos, há pouca informação que sustente o ideal a ser infundido. A Sepsis Surviving Campaign (SSC) de 2021 mantem a sugestão de 30 mg/kg de solução cristaloide por via endovenosa nas primeiras três horas.
No XVIII Fórum Internacional de Sepse, realizado pelo Instituto Latino-americano de Sepse (ILAS) contamos com a participação da Dra. Sheila Myatra, do Tata Memorial Hospital em Mumbai, Índia, Presidente da Sociedade Indiana de Medicina de Cuidados Intensivos (ISCCM) e Presidente da Seção de Cuidados Intensivos da Federação Mundial de Sociedades de Anestesiologistas (WFSA).
Em sua apresentação, a Dra. Sheila comentou sobre a quantidade ideal de fluidos que deve ser infundida na reanimação inicial do paciente séptico e, apesar de reforçar a indicação da SSC 2021 de 30 mL/kg, respalda que o cuidado deve ser individualizado para cada paciente, sempre que possível e, caso o choque persista após a reanimação inicial, devemos reavaliar a resposta do paciente à infusão de fluidos com os métodos disponíveis antes de infundir mais volume.
Mensagem prática
A fluidoterapia imediata deve ser a primeira linha de ressuscitação do paciente com choque séptico e para pacientes com hipoperfusão induzida pela sepse a infusão de 30 mL/kg de cristaloide endovenoso pode ser benéfica para a maioria dos pacientes, mas devemos individualizar a conduta e usar de métodos para avaliação complementar da fluidorresponsividade sempre que disponíveis.
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Autoria

Rafael Lisbôa
Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pelas Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac), em 2016, com residência médica em Clínica Médica pela Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), intensivista titulado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e médico auditor titulado pela Sociedade Brasileira de Auditoria Médica (SBAM). É gerente médico na Audicare Master, atuando na área de Auditoria Médica.
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