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Saúde5 agosto 2026

Uso de testosterona sem hipogonadismo pode elevar o risco cardiovascular

Estudo de coorte analisou dados de tratamento de mais de 300 mil homens para avaliar o nível de risco do tratamento com testosterona

A terapia com testosterona tem sido iniciada com frequência em casos que não se enquadram no hipogonadismo clássico, contudo a segurança cardiovascular nesse contexto é incerta. Segundo investigação de pesquisadores da Alemanha, estudos apresentam resultados divergentes. Enquanto estudos observacionais levantaram preocupações quanto ao aumento do risco de eventos cardiovasculares; evidências mais recentes de ensaios randomizados e meta-análises envolvendo homens com hipogonadismo confirmado geralmente não demonstraram um risco excessivo claro de eventos cardiovasculares graves ou morte nas condições dos estudos.

Contudo, a maior parte da literatura existente comparou homens que recebiam terapia com testosterona com aqueles que não a recebiam. Em vez de comparar diferentes grupos de usuários de testosterona com base na presença ou ausência de hipogonadismo, esses trabalhos concentraram-se em populações específicas de ensaios clínicos, no risco tromboembólico a curto prazo ou em homens com hipogonadismo confirmado.

Dessa forma, estudo publicado no eBioMedicine do The Lancet avaliou se essa terapia off-label (sem evidência de hipogonadismo) estaria associada a um risco cardiovascular maior do que o início da terapia com evidência de hipogonadismo no longo prazo.

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Homem se preparando para injetar testosterona apesar do risco

Metodologia

Novos usuários de terapia com testosterona que apresentavam evidência de hipogonadismo foram comparados diretamente com aqueles sem evidência diagnóstica em um estudo de coorte retrospectivo global.

Foram selecionados homens de 30 a 75 anos que haviam iniciado a terapia hormonal (TH), identificados a partir de dados secundários e anonimizados de registros eletrônicos de saúde (RES) de 123 organizações de saúde. Participantes foram identificados a partir de dados clínicos coletados rotineiramente e não foram recrutados especificamente para o estudo. Foram excluídos aqueles com TH prévia e histórico de eventos cardiovasculares/tromboembólicos maiores.

A comparação entre pacientes com evidências para hipogonadismo e aqueles sem se deu através pareamento por escore de propensão 1:1 com avaliação balanceada por variáveis ​​clinicamente relevantes após revisão da literatura, incluindo dados demográficos comorbidades.

Os desfechos estabelecidos foram, primário, ocorrência de eventos cardiovasculares adversos maiores, e desfechos secundários incluíram, separadamente, mortalidade por todas as causas, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral isquêmico, parada cardíaca e insuficiência cardíaca.

Para reduzir os vieses e fortalecer a inferência causal também foram utilizadas análises de sensibilidade e um desfecho de controle negativo (apendicite aguda).

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Achados: risco do tratamento com testosterona sem hipogonadismo 

Dos 358.957 indivíduos selecionados para o estudo, 127.152 (35,4%) não apresentavam evidências de hipogonadismo, foram estabelecidos 113.554 pares com acompanhamento de até 10 anos.

O uso de terapia com testosterona sem evidência de hipogonadismo apresentou uma associação maior com um risco de eventos cardiovasculares maiores (16,53% vs. 11,83%; RR 1,51; IC 95% 1,45–1,56) e de mortalidade por todas as causas (RR 1,90; IC 95% 1,79–2,00), bem como a riscos elevados de acidente vascular cerebral isquêmico (RR 1,23; IC 95% 1,14–1,33), parada cardíaca (RR 1,41; IC 95% 1,23–1,61) e insuficiência cardíaca (RR 1,32; IC 95% 1,26–1,39).

Entenda: Testosterona baixa por estresse, quando não é hipogonadismo?

As análises de subgrupos por raça/etnia também indicaram variações clinicamente relevantes, homens asiáticos apresentaram associações mais fortes com eventos cardiovasculares maiores, enquanto brancos demostram uma incidência maior de acidente vascular cerebral isquêmico e homens negros uma associação maior com o risco de parada cardíaca.

Os pesquisadores consideraram que o estudo, apesar das limitações, conseguiu demostrar que o padrão de prescrição de terapia com testosterona em homens que não apresentavam evidência de hipogonadismo, está associado a um risco excedente clinicamente relevante de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares adversos graves.

Para os autores do estudo, as evidências obtidas enfatizam que a segurança cardiovascular pode depender do contexto da prescrição, o que reforça a importância da investigação diagnóstica em conformidade com as diretrizes antes de se iniciar o tratamento.

Veja: Abordando um paciente com obesidade e testosterona baixa

Autoria

Foto de Augusto Coutinho

Augusto Coutinho

Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.

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Referências bibliográficas

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