O Sistema Único de Saúde atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para asma, trazendo mudanças importantes no diagnóstico, acompanhamento e tratamento da doença. A principal novidade é a ampliação das opções terapêuticas para pacientes com asma grave, incluindo novos medicamentos imunobiológicos e critérios mais detalhados para definição do tratamento.
A atualização substitui a norma de 2023 e segue as recomendações da Global Initiative for Asthma (GINA) 2025.
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Novos medicamentos ampliam tratamento da asma grave
O protocolo passa a incluir os imunobiológicos benralizumabe e dupilumabe, além de ampliar o uso do mepolizumabe para crianças. Até então, o SUS contava principalmente com omalizumabe e mepolizumabe para pacientes com formas mais graves da doença.
Segundo o coordenador da Comissão de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, a mudança permite tratamentos mais personalizados para pacientes que não respondem adequadamente às terapias convencionais.
Apesar da incorporação, os novos medicamentos ainda não estão disponíveis na rede pública. O Ministério da Saúde informou que o processo de aquisição e inclusão na tabela do SUS está em andamento.
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Diagnóstico passa a exigir maior precisão
O novo protocolo reforça a importância da espirometria para confirmação diagnóstica. O exame avalia a função pulmonar e ajuda a diferenciar a asma de outras doenças respiratórias com sintomas semelhantes.
A diretriz também alerta para problemas de superdiagnóstico e subdiagnóstico. Muitas pessoas recebem tratamento sem confirmação adequada da doença, enquanto outras convivem com sintomas sem acesso ao acompanhamento correto.
Entre os sinais mais comuns da asma estão falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto torácico, geralmente com piora à noite ou após exercícios físicos.
Mudança no tratamento das formas leves e moderadas
Outra mudança importante é a recomendação de que o tratamento não seja feito apenas com broncodilatadores de alívio. O novo protocolo orienta o uso combinado de corticoide inalatório e broncodilatador em todas as etapas do cuidado.
A medida busca reduzir crises, hospitalizações e mortes relacionadas à doença. Atualmente, a asma ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil, responsável por cerca de seis mortes por dia no país.
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Atenção primária terá papel central
O documento também reforça a importância da atenção primária no acompanhamento contínuo dos pacientes. A orientação inclui educação sobre o uso correto das bombinhas, monitoramento da adesão ao tratamento e encaminhamento para serviços especializados nos casos mais graves.
Segundo especialistas, ampliar o acesso aos medicamentos combinados e fortalecer centros de referência para asma grave continuam entre os principais desafios do SUS.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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