Uma nova variante recombinante do vírus da mpox tem gerado preocupação entre especialistas e autoridades de saúde. A Organização Mundial da Saúde informou recentemente a detecção de uma cepa formada pela combinação de duas linhagens genéticas já conhecidas do vírus, os clados Ib e IIb. A descoberta ocorreu em fevereiro de 2026 e levantou novos desafios para vigilância epidemiológica e tratamento da doença.
A mpox é uma infecção viral causada por um vírus da mesma família da varíola humana. O clado IIb esteve associado ao surto global registrado em 2022, enquanto o clado Ib tem sido relacionado a surtos mais recentes em países africanos e a quadros potencialmente mais graves.
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Nova cepa de Mpox pode estar subdiagnosticada
Os primeiros casos da variante recombinante foram identificados no Reino Unido e na Índia, ambos envolvendo pacientes com histórico recente de viagem internacional. Segundo especialistas, a circulação do vírus pode ser mais ampla do que os registros atuais indicam.
Um dos motivos de preocupação é que testes convencionais de PCR utilizados para diferenciar as linhagens do vírus não conseguiram identificar corretamente a nova variante. A confirmação só foi possível após a realização de sequenciamento genômico completo.
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A recombinação genética entre linhagens virais pode gerar vírus com características diferentes das variantes originais. No caso da mpox, a combinação entre os clados Ib e IIb exige monitoramento mais atento para entender seu comportamento epidemiológico e potencial de transmissão.
Estudo questiona eficácia de antiviral
Ao mesmo tempo em que a nova variante foi identificada, um estudo clínico de grande porte trouxe dúvidas sobre a eficácia do principal antiviral utilizado contra a doença. O ensaio clínico STOMP, publicado no New England Journal of Medicine, avaliou o medicamento tecovirimat, amplamente utilizado contra vírus do gênero Orthopoxvirus.
O estudo acompanhou 344 adultos com mpox confirmada, que receberam o antiviral ou placebo durante 14 dias. Os resultados mostraram que o medicamento não reduziu o tempo de cicatrização das lesões, nem diminuiu a dor ou acelerou a eliminação do vírus. A resolução clínica ocorreu em 83% dos pacientes tratados com tecovirimat e em 84% daqueles que receberam placebo, indicando ausência de benefício significativo em adultos imunocompetentes.
Outro estudo, conduzido na República Democrática do Congo, chegou a conclusões semelhantes para o clado I do vírus. Apesar disso, especialistas destacam que ainda faltam dados sobre o uso do antiviral em grupos de maior risco, como crianças, gestantes e pessoas imunocomprometidas.
Diante do novo cenário, autoridades sanitárias defendem o fortalecimento da vigilância genômica, revisão de protocolos clínicos e ampliação das estratégias de prevenção, incluindo a vacinação de grupos prioritários.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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