O Conselho Federal de Medicina (CFM) criticou a proposta da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de alinhar o rastreamento do câncer de mama na saúde suplementar à política do Sistema Único de Saúde (SUS), que recomenda mamografia apenas a partir dos 50 anos. A polêmica surgiu quando a ANS, ao abrir consulta pública para atualizar seu Manual de Boas Práticas em Atenção Oncológica, seguiu o protocolo do Instituto Nacional do Câncer (INCA), preconizando a recomendação de mamografias entre 50 e 69 anos, com intervalos de dois anos.
A agência justifica essa decisão com base em evidências científicas, argumentando que a mamografia em mulheres mais jovens pode gerar diagnósticos imprecisos e procedimentos desnecessários.
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Divergências sobre idade recomendada para mamografia
Para o CFM, essa diretriz pode comprometer o diagnóstico precoce e reduzir as chances de cura, ignorando a crescente incidência da doença em mulheres mais jovens. Em nota, a entidade afirmou que essa política para rastreamento do câncer de mama “é equivocada” pedindo uma reavaliação dessa diretriz, defendendo o início das mamografias aos 40 anos e que “Decisões que afetam a saúde das mulheres devem ser baseadas em evidências robustas e amplamente debatidas, visando assegurar um cuidado mais eficaz e equitativo em todo território nacional.”
O INCA reconheceu o direito legítimo das sociedades médicas de questionar as diretrizes, mas afirmou que seu protocolo está de acordo com a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc). “Embora alguns estudos tenham apontado uma possível redução de risco em determinados casos, a maioria das evidências não mostrou benefícios consistentes no rastreamento para mulheres abaixo de 50 anos ou acima de 69 anos. A sensibilidade da mamografia é significativamente menor em mulheres mais jovens, variando entre 53% e 77% a cada dois anos, em comparação com 88% na faixa etária entre 50 e 69 anos.”, afirmou o instituto em nota.
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Entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), também criticaram a medida, alertando que os planos de saúde podem usá-la para restringir a cobertura de mamografias para mulheres entre 40 e 50 anos.
Em resposta às manifestações, a ANS realizou reuniões e concedeu prazo de 30 dias para que sejam apresentados estudos científicos e dados técnicos para o pedido de mudanças nos critérios de rastreamento. A agência se comprometeu a analisar todas as propostas antes de uma decisão final.
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*Esse artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya
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