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Saúde21 outubro 2026

Estudo associa insegurança alimentar a risco de demência

Pesquisa sobre insegurança alimentar em adultos norte-americanos avaliou o período de exposição e sua relação com a saúde cognitiva.
Por Gabriela Costa

Pesquisadores analisaram a associação entre insegurança alimentar e demência provável em 2.051 adultos dos Estados Unidos. Publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, o estudo longitudinal investigou a associação entre insegurança alimentar na meia-idade ou na velhice e rastreamento positivo para demência após os 65 anos.

Os dados vieram do Panel Study of Income Dynamics, pesquisa domiciliar norte-americana de acompanhamento populacional. A insegurança alimentar foi avaliada em 1999, 2001, 2003, 2015, 2017 e 2019. A investigação de demência provável ocorreu em 2019 e 2021, quando os participantes já tinham pelo menos 65 anos.

Chances de demência provável variam conforme o período de insegurança alimentar

Após ajustes para características sociodemográficas e condições de saúde, participantes com insegurança alimentar apenas na velhice apresentaram chances 85% maiores de demência provável (OR 1,85; IC95% 1,06–3,23), em comparação com aqueles com segurança alimentar nos dois períodos. A análise considerou, entre outros fatores, renda, escolaridade, diabetes e hipertensão.

Entre aqueles que enfrentaram insegurança alimentar tanto na meia-idade quanto na velhice, as chances foram 118% maiores (OR 2,18; IC95% 1,15–4,11). Já a exposição restrita à meia-idade não apresentou associação estatisticamente significativa após os ajustes. Na amostra total, 19,8% dos participantes tiveram rastreamento compatível com demência provável.

Saiba mais: Estudo relaciona exposições ambientais ao risco de demência 

Como a insegurança alimentar em idosos foi avaliada?

Para identificar a insegurança alimentar, os pesquisadores utilizaram um questionário domiciliar validado, que avalia dificuldades de acesso à alimentação por falta de recursos. As respostas permitiram classificar a situação alimentar em cada período e identificar episódios repetidos ao longo do acompanhamento.

O desfecho foi avaliado pela escala AD8, composta por oito perguntas sobre mudanças na memória, julgamento, orientação e realização de atividades cotidianas. Pontuação igual ou superior a dois indicava demência provável. O instrumento é utilizado para rastreamento e não equivale a diagnóstico clínico confirmado.

Leia mais: Insegurança alimentar e a desigualdade de gênero na obesidade

Episódios repetidos se associam à demência provável

Nas estimativas ajustadas apresentadas pelos autores, a probabilidade mediana de demência provável foi de 11% entre pessoas com segurança alimentar nos dois períodos. O valor chegou a 34% entre aquelas com insegurança alimentar apenas na velhice e a 40% entre as expostas nas duas fases. Esses percentuais são probabilidades estimadas pelo modelo, não taxas observadas de novos diagnósticos.

A recorrência da insegurança alimentar na velhice também foi relevante. Em análise que considerou conjuntamente episódios nas duas fases da vida, duas ocorrências na velhice se associaram a chances aproximadamente três vezes maiores de demência provável (OR 3,06; IC95% 1,32–7,10). Para três ocorrências, o OR foi 2,57 (IC95% 1,05–6,29). Não houve associação estatisticamente significativa entre episódios repetidos na meia-idade e demência provável após os ajustes.

Os resultados não demonstram que a insegurança alimentar cause demência. Entre as limitações estão a ausência de registros alimentares entre 2005 e 2013, possíveis fatores não mensurados e a hipótese de que alterações cognitivas anteriores possam influenciar a segurança alimentar. Os autores propõem investigar se iniciativas de apoio nutricional podem favorecer a saúde cognitiva de pessoas idosas.

Leia também: Associação entre status socioeconômico e risco de demência precoce 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

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