Pesquisadores da Harvard T.H. Chan School of Public Health e da Harvard Medical School avaliaram como diferentes exposições se associam ao risco de demência. O estudo foi publicado em setembro de 2026 na Alzheimer’s & Dementia. A análise acompanhou 499.992 participantes do UK Biobank por uma mediana de 15,3 anos.
Os pesquisadores avaliaram 193 exposições ambientais, sociais e comportamentais. Durante o acompanhamento, 8.881 participantes desenvolveram doença de Alzheimer ou outra demência relacionada. Desse total, 4.000 apresentaram doença de Alzheimer. A análise identificou 76 exposições associadas ao conjunto das demências e 34 especificamente ao Alzheimer.

Exposoma reúne fatores sociais, ambientais e de estilo de vida
O trabalho adotou uma abordagem baseada no exposoma, que considera diferentes exposições enfrentadas pelas pessoas ao longo da vida. Os pesquisadores dividiram os fatores em cinco domínios: químico, físico, comportamental, social e relacionado aos ecossistemas.
Entre os fatores avaliados estavam poluentes atmosféricos e medicamentos, além de ruído, alimentação, atividade física e sono. Escolaridade, situação socioeconômica e acesso a áreas verdes também fizeram parte da análise.
No domínio social, desemprego, dificuldades financeiras, menor escolaridade e condições habitacionais desfavoráveis apareceram associados a maior risco. Entre os fatores de estilo de vida estavam tabagismo atual, consumo inadequado de álcool, cochilos diurnos frequentes e alterações na duração do sono.
A poluição atmosférica por dióxido de nitrogênio também apareceu associada a maior risco. Outro achado foi a associação com o uso de múltiplos medicamentos. Os autores consideram que esse resultado provavelmente reflete maior complexidade de saúde, e não necessariamente um efeito direto dos medicamentos sobre a demência.
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Quais fatores apareceram associados a menor risco de demência?
Algumas exposições apresentaram associação inversa com o risco de Alzheimer e outras demências. Entre elas estavam caminhar por lazer, praticar outros exercícios e realizar atividades físicas mais intensas em casa ou no quintal.
Viver com um parceiro, ter maior renda familiar e determinados hábitos alimentares também apareceram associados a menor risco. Uso de computador e telefone celular também esteve entre os fatores identificados.
Esses resultados não significam, porém, que cada uma dessas exposições previna demência. O estudo é observacional e identifica associações, sem demonstrar relações de causa e efeito. Os pesquisadores destacam que novos estudos precisam avaliar possíveis fatores de confusão e causalidade reversa.
Assim, achados relacionados a alimentos específicos ou uso de dispositivos eletrônicos não devem ser convertidos isoladamente em recomendações preventivas.
Escore exposômico amplia a previsão do risco de Alzheimer
Além de identificar associações, os pesquisadores desenvolveram um modelo preditivo e um escore baseado no conjunto de exposições. O objetivo foi verificar se informações ambientais poderiam ajudar a diferenciar grupos com maior ou menor risco de demência.
O modelo que incorporou as exposições alcançou área sob a curva de 0,718. O modelo baseado apenas em características demográficas e no status da apolipoproteína E, ou APOE, apresentou resultado de 0,678.
Na estratificação pelo escore, os participantes com as pontuações mais altas apresentaram risco quase três vezes maior de desenvolver demência durante o acompanhamento, em comparação com aqueles com as pontuações mais baixas. A razão de risco foi de 2,97, com intervalo de confiança de 95% entre 2,59 e 3,41.
O resultado mostra que as informações sobre exposições acrescentaram capacidade de discriminação ao modelo. Isso não significa, entretanto, que o escore consiga determinar individualmente quem desenvolverá demência.
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O que os achados acrescentam à prevenção da demência?
A principal contribuição do trabalho é avaliar simultaneamente um conjunto amplo de fatores, em vez de estudar cada exposição de forma isolada. Essa abordagem permite observar como ambiente, hábitos e condições sociais podem acrescentar informações aos fatores demográficos e genéticos.
Para a prática, o estudo ainda não estabelece um novo escore clínico pronto para ser utilizado. Os próprios autores afirmam que a ferramenta precisa ser validada em populações mais diversas antes de uma aplicação mais ampla.
Outro limite é a natureza observacional da pesquisa. Uma associação entre determinada exposição e demência não demonstra que aquela exposição seja responsável pelo aumento ou redução do risco.
A perspectiva proposta pelo estudo é, portanto, mais ampla do que procurar um único fator ambiental responsável pela demência. Os resultados sugerem que a combinação de exposições acumuladas pode acrescentar informação à avaliação de risco e ajudar futuras estratégias de prevenção. O próximo passo será determinar quais dessas relações são causais e quais exposições modificáveis podem realmente servir como alvos de intervenção.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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