Logotipo Afya
Anúncio
Saúde15 outubro 2026

Dobutamina com noradrenalina reduz risco renal no pós-operatório do choque séptico

Estudo publicado no JAMA investigou os benefícios renais, eventos adversos e implicações clínicas do uso intraoperatório de Dobutamina
Por Redação Afya

O grupo de pesquisadores Chinese Perioperative Septic Shock Investigators publicou, em 14 de outubro de 2026, no JAMA, um ensaio clínico randomizado sobre o uso de Dobutamina em pacientes com choque séptico. O estudo investigou se a adição intraoperatória do medicamento à Noradrenalina poderia reduzir a incidência de lesão renal aguda nos sete dias após a cirurgia para controle do foco infeccioso.

A pesquisa incluiu 584 adultos com choque séptico, atendidos em 39 hospitais chineses e distribuídos aleatoriamente entre dois grupos: um recebeu Dobutamina associada à Noradrenalina durante a cirurgia, enquanto o outro recebeu apenas Noradrenalina. O desfecho principal foi a ocorrência de lesão renal aguda ou o agravamento de lesão renal preexistente nos sete dias após o procedimento.

A ocorrência de lesão renal aguda ou o agravamento de lesão renal preexistente foi registrada em 22,8% dos pacientes que receberam a combinação medicamentosa, contra 34,7% no grupo controle. A diferença absoluta foi de 11,9 pontos percentuais, com redução relativa ajustada de 36% no risco do desfecho. A combinação também apresentou menor incidência de lesão renal aguda nos estágios 2 e 3.

Além disso, o grupo tratado com a combinação apresentou menor escore SOFA no primeiro dia pós-operatório, com diferença ajustada de -0,53 ponto, e maior débito urinário uma hora após a intervenção, com diferença de 0,55 mL/kg/h. Entretanto, nove dos 11 desfechos secundários não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, o que limita a interpretação do benefício para além da função renal.

Saiba mais: Guia para o uso de vasopressores e inotrópicos em pacientes em choque

Dobutamina foi associado a maior frequência de taquicardia

O benefício renal veio acompanhado de maior frequência de taquicardia, observada em 41% dos pacientes, contra 29,9% no grupo tratado apenas com Noradrenalina (controle). O resultado destaca a importância de avaliar o rsico e os efeitos cardiovasculares da intervenção.

A combinação também não apresentou diferenças estatisticamente significativas em desfechos como mortalidade em 28 e 90 dias, necessidade de terapia renal substitutiva e tempo de internação hospitalar ou em UTI. Assim, a menor ocorrência de lesão renal não deve ser apresentada como benefício comprovado de sobrevida.

Leia mais: Luso-Brasileiro 2026: Vasopressores – cuidados com as intervenções

Quais são as implicações no manejo hemodinâmico?

A administração de dobutamina foi limitada ao período intraoperatório, em doses de até 5 µg/kg/min. Além da menor incidência de lesão renal aguda, os pesquisadores observaram resultados mais favoráveis em indicadores de perfusão tecidual, como lactato sérico, saturação venosa central de oxigênio e tempo de enchimento capilar.

Entretanto, a monitorização hemodinâmica avançada não foi realizada em todos os participantes, o que impediu determinar se os efeitos da Dobutamina variaram conforme a função cardíaca inicial. O desenho aberto do ensaio e a inclusão exclusiva de pacientes submetidos ao controle cirúrgico do foco infeccioso também limitam a extrapolação dos resultados para outros contextos clíncos.

Assim, embora os resultados indiquem um possível benefício renal da associação intraoperatória de Dobutamina à Noradrenalina, novos estudos são necessários para esclarecer sua segurança, identificar indicações clínicas e definir seu papel no manejo do choque séptico.

Veja também: Ressuscitação hemodinâmica personalizada: a atualização do ANDROMEDA-SHOCK 2

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Saúde