O grupo de pesquisadores Chinese Perioperative Septic Shock Investigators publicou, em 14 de outubro de 2026, no JAMA, um ensaio clínico randomizado sobre o uso de Dobutamina em pacientes com choque séptico. O estudo investigou se a adição intraoperatória do medicamento à Noradrenalina poderia reduzir a incidência de lesão renal aguda nos sete dias após a cirurgia para controle do foco infeccioso.
A pesquisa incluiu 584 adultos com choque séptico, atendidos em 39 hospitais chineses e distribuídos aleatoriamente entre dois grupos: um recebeu Dobutamina associada à Noradrenalina durante a cirurgia, enquanto o outro recebeu apenas Noradrenalina. O desfecho principal foi a ocorrência de lesão renal aguda ou o agravamento de lesão renal preexistente nos sete dias após o procedimento.
A ocorrência de lesão renal aguda ou o agravamento de lesão renal preexistente foi registrada em 22,8% dos pacientes que receberam a combinação medicamentosa, contra 34,7% no grupo controle. A diferença absoluta foi de 11,9 pontos percentuais, com redução relativa ajustada de 36% no risco do desfecho. A combinação também apresentou menor incidência de lesão renal aguda nos estágios 2 e 3.
Além disso, o grupo tratado com a combinação apresentou menor escore SOFA no primeiro dia pós-operatório, com diferença ajustada de -0,53 ponto, e maior débito urinário uma hora após a intervenção, com diferença de 0,55 mL/kg/h. Entretanto, nove dos 11 desfechos secundários não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, o que limita a interpretação do benefício para além da função renal.
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Dobutamina foi associado a maior frequência de taquicardia
O benefício renal veio acompanhado de maior frequência de taquicardia, observada em 41% dos pacientes, contra 29,9% no grupo tratado apenas com Noradrenalina (controle). O resultado destaca a importância de avaliar o rsico e os efeitos cardiovasculares da intervenção.
A combinação também não apresentou diferenças estatisticamente significativas em desfechos como mortalidade em 28 e 90 dias, necessidade de terapia renal substitutiva e tempo de internação hospitalar ou em UTI. Assim, a menor ocorrência de lesão renal não deve ser apresentada como benefício comprovado de sobrevida.
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Quais são as implicações no manejo hemodinâmico?
A administração de dobutamina foi limitada ao período intraoperatório, em doses de até 5 µg/kg/min. Além da menor incidência de lesão renal aguda, os pesquisadores observaram resultados mais favoráveis em indicadores de perfusão tecidual, como lactato sérico, saturação venosa central de oxigênio e tempo de enchimento capilar.
Entretanto, a monitorização hemodinâmica avançada não foi realizada em todos os participantes, o que impediu determinar se os efeitos da Dobutamina variaram conforme a função cardíaca inicial. O desenho aberto do ensaio e a inclusão exclusiva de pacientes submetidos ao controle cirúrgico do foco infeccioso também limitam a extrapolação dos resultados para outros contextos clíncos.
Assim, embora os resultados indiquem um possível benefício renal da associação intraoperatória de Dobutamina à Noradrenalina, novos estudos são necessários para esclarecer sua segurança, identificar indicações clínicas e definir seu papel no manejo do choque séptico.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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