Documento produzido pelo Grupo Interinstitucional das Nações Unidas para Estimativa da Mortalidade Infantil (UN IGME) estimou que, em 2024, 7 milhões de crianças e adolescentes morreram no mundo, dessas, 4,9 milhões tinham menos de 5 anos de idade, uma a cada seis segundos, sendo quase metade desse número (2,3 milhões) de recém-nascidos. Este novo relatório da ONU também apontou que o ritmo de diminuição na mortalidade infantil observado desde 1990 tem desacelerado em quase 60%. Além disso, pela primeira vez, as estimativas levaram em consideração as mortes por desnutrição aguda grave (DAG), aflição que foi responsável direta por 5% das mortes de crianças de até 5 anos de idade.
Segundo a ONU, o impacto da desnutrição aguda pode ser ainda maior se considerarmos os efeitos indiretos, pois ela diminuiu a imunidade aumentando o risco de morte por doenças comuns. Pneumonia, diarreia e malária, as três principais causas de morte identificadas, são exacerbadas pela má nutrição das crianças.
“Essas estimativas demonstram que muitas mortes entre crianças menores de cinco anos, por causas como parto prematuro, infecções respiratórias baixas e lesões, são evitáveis com intervenções comprovadamente eficazes em termos de custo. A ciência é clara, investimentos direcionados em atenção primária à saúde, serviços de saúde materno-infantil, imunização de rotina, programas de nutrição e sistemas de dados de qualidade e em tempo hábil podem salvar milhões de vidas.” afirmou Li Liu, PhD, professora associada da Universidade Johns Hopkins Bloomberg e coinvestigadora principal do estudo.
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Mortes de recém-nascidos
Entre as causas responsáveis por quase 50% da mortalidade de crianças em 2024, o nascimento prematuro figura como a mais importante (36%) seguida por complicações no parto (21%). Além dessas causas, infecções (incluindo sepse neonatal) e Doenças Tropicais Negligenciadas também exercem uma grande pressão sobre os números principalmente em países mais pobres.
Para Catherine Russell, Diretora ExecutivDoenças%20Tropicais%20Negligenciadasa do UNICEF, “Nenhuma criança deveria morrer de doenças que sabemos como prevenir. Mas vemos sinais preocupantes de que o progresso na sobrevivência infantil está diminuindo, e em um momento em que estamos vendo novos cortes no orçamento global (…) com investimento contínuo e vontade política, podemos continuar a construir sobre conquistas passadas para as gerações futuras.”
Taxa de Mortalidade Neonatal (mortes por cada 1.000 nascidos vivos) por país, 2024
Fonte: United Nations Inter-agency Group for Child Mortality Estimation (UN IGME), 2026
Mortes de crianças mais velhas e adolescentes
Para a parcela da população mais jovem (de 5 a 14 anos) os riscos de vida variam doenças infeciosas, com destaque para malária cujo impacto na África Subsaariana a coloca como principal causa de morte, traumas e acidentes como afogamento são a maior preocupação. Na população adolescente (15 a 19 anos), a automutilação cresce tanto entre meninos quanto meninas, sendo a principal causa de mortalidade entre meninas, que também sofrem com questões de maternidade precoce, já na população masculina, nessa faixa etária, acidentes automobilísticos e violência interpessoal são os principais responsáveis pelas mortes.
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Diferenças regionais na mortalidade infantil
De acordo com os dados analisados, 8 de cada 10 mortes de crianças com menos de 2 anos de idade ocorre nas regiões da África Subsaariana (54%), e países do sul asiático (25%). O relatório aponta uma situação mais crítica na África Subsaariana, com o crescimento populacional e uma taxa menor de prevenção da mortalidade junto a prevalência de doenças preveníveis.
A ONU aponta que a mortalidade de crianças com menos de cinco anos na região com os piores índices é 19 vezes maior do que na região com os melhores, quando a comparação é feita por país, o pior colocado tem uma mortalidade 57 vezes maior que aquele com os melhores resultados. A estimativa é que se as tendências atuais permanecerem, até 2030, o mundo perderá 27,3 milhões de crianças, mas se todos os países atingirem os objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pelo órgão, o mundo poderia salvar mais de 8 milhões de vidas desse total, 17, 4 milhões se o mundo atingir a média dos países com maior renda.
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“Crianças que vivem em meio a conflitos e crises têm quase três vezes mais chances de morrer antes de completarem cinco anos”, disse o Dr. Tedros Adhano, Diretor-Geral da OMS. “Precisamos proteger os serviços essenciais de saúde e nutrição e alcançar as famílias mais vulneráveis para que todas as crianças tenham a chance não só de sobreviver, mas também de prosperar.”
O relatório completo pode ser acessado através deste link.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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