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Psiquiatria4 novembro 2026

Vício em apostas exige atenção dos médicos e mobiliza o SUS

Dados sobre ludopatia e ferramentas de atendimento ajudam médicos a reconhecer sinais de dependência e orientar pacientes na rede pública.
Por Gabriela Costa

A procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) devido a problemas relacionados às apostas online cresceu 200%, segundo dados apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), em 3 de novembro. O aumento evidencia a pressão do vício em bets sobre a rede pública e a necessidade de reconhecer os sinais de dependência na prática clínica.

Nos 12 meses anteriores à proibição das bets, 28 milhões de pessoas fizeram apostas no Brasil. Cerca de 11 milhões apresentaram padrões de risco ou comportamento problemático, o que não equivale, necessariamente, a um diagnóstico de ludopatia.

Quais sinais indicam dependência de apostas?

Na consulta, dificuldade para interromper apostas, ansiedade, alterações de sono e humor, comprometimento financeiro e prejuízos nas relações pessoais ou profissionais são sinais de alerta. Essas manifestações ajudam o médico a reconhecer uma possível relação problemática com os jogos e a avaliar a necessidade de acolhimento.

A avaliação também deve considerar os efeitos do endividamento e do sofrimento emocional relatados pelo paciente. Durante a audiência, o ministro manifestou preocupação com o risco de suicídio entre pessoas afetadas por dívidas e ludopatia.

Saiba mais: Com fim das bets, Ministério da Saúde amplia busca ativa de apostadores 

Meu SUS Digital amplia acesso ao tratamento da ludopatia

Desde agosto, o Meu SUS Digital oferece capacidade para até 100 mil teleatendimentos mensais a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, incluindo suporte a familiares. Pelo aplicativo, o usuário entra com a conta gov.br, acessa os miniaplicativos e realiza um autoteste.

Em seguida, é direcionado à plataforma da AgSUS. O acompanhamento ocorre por videochamadas com profissionais capacitados, com duração média de 50 minutos e até dez sessões semanais inicialmente. Após reavaliação, pode haver alta, novo ciclo ou encaminhamento presencial à rede pública.

Saiba mais: Ministério da Saúde lança guia nacional para enfrentar impactos das apostas online 

Autoexclusão de apostas complementa as ações de cuidado

O governo contabilizou 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão de CPFs para bloquear apostas. Segundo o ministro, 40% dos solicitantes relataram perda de controle, dado relevante para a identificação de pessoas que podem necessitar de apoio.

Para o médico, conhecer essa medida e o acesso pelo Meu SUS Digital pode facilitar a orientação do paciente. A Rede de Atenção Psicossocial, incluindo unidades básicas e Centros de Atenção Psicossocial, oferece continuidade presencial ao cuidado quando necessário.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

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