O Ministério da Saúde intensificará a busca ativa de apostadores contumazes após a proibição das bets no país, anunciada na última sexta-feira, 25 de setembro de 2026. A pasta oferecerá acompanhamento a casos de jogo problemático e transtorno do jogo, com apoio do teleatendimento em saúde mental.
A estratégia existe desde dezembro de 2025, com dados da Fazenda, da Segurança e da Receita Federal, porém o fluxo de contato ainda não foi divulgado. A Medida Provisória 1.394/2026, que passou a proibir a operação das casas de apostas no Brasil, prevê dez dias para sites saírem do ar.

Estimativa de transtorno do jogo chega a 1,4 milhão de brasileiros
Levantamento nacional compilado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) indica que 0,8% da população com 14 anos ou mais preencheria critérios diagnósticos. O transtorno se associa à piora de ansiedade, depressão e risco suicida.
De acordo com Felipe Motta, médico da Afya, “os jogos de aposta podem afetar muito mais que as finanças. Perda de controle, privação de sono, ansiedade, depressão e conflitos familiares são sinais que merecem atenção. Em adolescentes, mudanças de comportamento, isolamento e queda no rendimento escolar também devem acender o alerta. Como médicos, precisamos perguntar sobre apostas sem julgamento e avaliar diretamente o risco de suicídio diante de sofrimento intenso ou perdas importantes.”
Entre usuários de bets, 66,8% pontuam risco ou jogo problemático na escala PGSI (Problem Gambling Severity Index), contra 26,8% nas demais modalidades. No SUS, os atendimentos codificados como F63.0 e Z72.6 somaram 10.553 entre 2018 e maio de 2025, alta de 104%. A Atenção Primária, principal porta de identificação, respondeu por 6.237 deles.
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Teleatendimento em saúde mental encaminha casos à RAPS
Acessado pelo Meu SUS Digital após autoteste, o teleatendimento passou de 600 para até 100 mil vagas mensais, ampliando o acesso. As videoconsultas duram cerca de 50 minutos, em até dez sessões, seguidas de reavaliação para alta, novo ciclo ou encaminhamento presencial.
No guia de cuidado do Ministério da Saúde, de 2026, os CAPS assumem os casos graves e os leitos em hospital geral, o risco iminente de suicídio.
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Qual é o custo das apostas online para a saúde?
O IEPS estima em R$ 30,6 bilhões anuais os custos ligados à saúde, com R$ 17 bilhões atribuídos a suicídios adicionais. A perda de qualidade de vida na depressão soma R$ 10,4 bilhões, e seu tratamento, R$ 3 bilhões. Os valores partem de parâmetros britânicos e expressam associação, não causalidade.
A lei previa repassar 1% da arrecadação à Saúde, percentual que o Ministério da Saúde julgou insuficiente.
Para a abordagem clínica, o guia indica PGSI e autoteste na avaliação e orienta o registro pelos códigos F63.0 e Z72.6 da CID-10. Só 1,32% dos mais de 1 milhão de pedidos de autoexclusão partiram de recomendação de profissional de saúde. Até o detalhamento da busca ativa de apostadores, UBS e os 3.120 CAPS seguem como portas presenciais para o transtorno do jogo.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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