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Psiquiatria20 outubro 2026

TDAH, mortalidade e tratamento: o que revela nova metanálise publicada no JAMA?

Dados de 15,9 milhões de participantes associam TDAH a maior mortalidade por suicídio e lesões
Por Luciano Lucas

Uma revisão sistemática e metanálise publicada na JAMA Network Open investigou a associação entre o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), à mortalidade e ao uso de medicação. A análise identificou que pessoas com TDAH apresentaram maior mortalidade por todas as causas em comparação àquelas sem o diagnóstico (HR 1,71; IC 95% 1,31–2,24). Reforçando a importância do TDAH como questão de saúde pública.

A revisão sistemática e metanálise reuniu 19 estudos, de 7 países,  com mais de 15,9 milhões de participantes de diferentes faixas etárias. Os pesquisadores avaliaram a associação entre o TDAH e a mortalidade por todas as causas e por causas específicas, incluindo suicídio, lesões intencionais ou não intencionais e causas naturais. Também investigaram a associação entre o tratamento do TDAH e a mortalidade geral, utilizando modelos estatísticos de efeitos aleatórios para combinar os resultados dos estudos.

Algumas pérolas para distinguir TDAH no adulto de outras causas 

TDAH está associado a maior mortalidade por suicídio, lesões e causas naturais

O suicídio apresentou a maior associação entre as causas específicas de morte analisadas (HR 1,89; IC 95% 1,21–2,95). Segundo os autores, comorbidades associadas, como depressão, ansiedade e transtornos por uso de substâncias, além de fatores como exclusão social e estigma, podem contribuir para esse resultado.

A mortalidade por lesões intencionais ou não intencionais também foi maior (HR 1,55; IC 95% 1,22–2,00), possivelmente relacionada a características como impulsividade e desatenção, além da maior exposição a acidentes. Já a mortalidade por causas naturais apresentou associação menor (HR 1,27; IC 95% 1,16–1,38), associado ao risco de doença cardiovasculares, distúrbios metabólicos, tabagismo e baixa adesão a tratamentos.

Uso de medicamentos para TDAH se associa a menor mortalidade geral

Entre indivíduos com TDAH, o uso de medicamentos para o transtorno esteve associado a um hazard ratio de mortalidade por todas as causas 25% menor (HR 0,75; IC 95% 0,64–0,87). No entanto, esse resultado foi baseado em apenas três estudos e deve ser interpretado com cautela, uma vez que diferenças entre indivíduos tratados e não tratados, como: gravidade do transtorno, presença de comorbidades associadas e acesso aos serviços de saúde, podem influenciar na associação observada. 

Dessa forma, os achados não permitem estabelecer que o tratamento medicamentoso seja responsável diretamente pela redução da mortalidade.

Saiba mais: Medicamentos para TDAH protegem pacientes de morte precoce?

Limitações do estudo e implicações na prática clínica

Apesar dos resultados relevantes, os autores destacam algumas limitações. Os estudos incluídos apresentaram diferenças importantes entre as populações avaliadas, os critérios utilizados para diagnosticar o TDAH e a intensidade das associações encontradas. Além disso, houve predominância de participantes do sexo masculino, o que exige cautela ao generalizar os resultados.

Os resultados reforçam a importância de reconhecer o TDAH como uma condição que exige acompanhamento ao longo da vida, para além do controle dos sintomas. A identificação precoce, o manejo das comorbidades e o acesso adequado ao tratamento são aspectos fundamentais do cuidado. Embora novos estudos sejam necessários para esclarecer os fatores associados à maior mortalidade e o possível papel protetor dos medicamentos, os achados destacam a importância de uma abordagem integral e individualizada desses pacientes.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Luciano Lucas

Luciano Lucas

Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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