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Semaglutida oral, transtornos alimentares e mpox: os destaques médicos de hoje
O episódio de hoje aborda a aprovação da semaglutida oral para o tratamento da obesidade, o crescimento global dos casos de anorexia e bulimia e o cenário epidemiológico da mpox no Brasil, com atenção especial ao aumento recente de casos no Rio de Janeiro.
Matérias citadas no episódio de hoje:
- Anvisa aprova primeiro medicamento de GLP-1 oral para obesidade
- Casos de anorexia e bulimia crescem e ampliam desafio diagnóstico
- Casos de mpox no Brasil chegam a 665 em 2026, diz Ministério da Saúde
O que importa hoje: Anvisa aprova semaglutida oral para tratamento da obesidade
A Anvisa aprovou, em 4 de novembro, a apresentação oral da semaglutida, Wegovy, para perda e manutenção de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso. O medicamento deve ser utilizado como adjuvante à dieta hipocalórica e à atividade física. Trata-se do primeiro agonista do receptor de GLP-1 em comprimido aprovado no Brasil para o tratamento da obesidade.
O registro foi apoiado pelo estudo de fase 3 OASIS 4. No estudo, a dose de 25 mg proporcionou perda média de peso superior a 13% em 64 semanas, além de melhora dos marcadores cardiometabólicos.
Para a prática médica, a formulação oral amplia as opções terapêuticas para pacientes que resistem ao uso de medicamentos injetáveis. Também existe a possibilidade de transição entre as formulações quando clinicamente apropriado.
O comprimido deve ser administrado diariamente, com escalonamento da dose de 1,5 mg até a manutenção de 25 mg. A orientação adequada é fundamental para garantir a absorção. O medicamento precisa ser tomado em jejum, com pouca água, e o paciente deve aguardar pelo menos 30 minutos antes de comer ou utilizar outros medicamentos.
O que muda na prática: crescimento dos casos de anorexia e bulimia amplia desafio diagnóstico
Uma análise do Global Burden of Disease 2023, publicada no JAMA Psychiatry, estimou que 18,1 milhões de pessoas viviam com anorexia ou bulimia nervosa em 2023. Desse total, 14,2 milhões apresentavam bulimia. Entre 1990 e 2023, o número de casos cresceu 71%, enquanto a prevalência padronizada por idade aumentou 20,6%.
As mulheres concentraram 69,4% dos casos, e pessoas entre 10 e 24 anos representaram 41,2% do total. O pico de ocorrência da anorexia foi observado entre 15 e 19 anos. Para a bulimia, o pico ocorreu entre 30 e 34 anos. A projeção apresentada é de 21,8 milhões de casos em 2050.
Os dados reforçam a necessidade de rastrear transtornos alimentares em diferentes faixas etárias, sem restringir a avaliação aos adolescentes. A bulimia pode passar despercebida porque frequentemente ocorre sem baixo peso e envolve comportamentos ocultos.
Os autores defendem a implementação de fluxos de detecção precoce na atenção primária e nas escolas, integrados aos serviços de saúde mental. Como os resultados são baseados em modelagem, as estimativas apresentam incertezas, especialmente em regiões com menor disponibilidade de dados.
Radar: Brasil registra 665 casos de mpox em 2026
O Brasil registrou 665 casos de mpox em 2026, segundo o Ministério da Saúde. O número é 94% menor do que os 10.821 casos notificados em 2022, ano do surto. Apesar da redução no cenário nacional, a cidade do Rio de Janeiro confirmou 74 casos entre setembro e outubro, volume sete vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2025.
Diante do aumento localizado e da maior circulação de pessoas prevista para o fim do ano, o Ministério da Saúde reforçará os estoques de vacina no Rio de Janeiro. A vacinação permanece restrita aos grupos prioritários.
Na assistência, é importante manter atenção a febre, linfadenopatia e lesões cutâneas que evoluem por diferentes estágios até a formação de crostas, especialmente após contato íntimo ou sexual. Casos suspeitos devem ser testados, notificados e orientados quanto ao isolamento.
A circulação internacional do clado Ib, descrito como mais transmissível e associado a quadros mais graves, também reforça a importância de investigar o histórico recente de viagens durante a avaliação clínica.
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Autoria
Redação Afya News
Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.
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