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Temperaturas extremas, mitapivat na doença falciforme e solidão na saúde mental
Nesta edição do Afya News, destacamos a relação entre temperaturas extremas e mortalidade por doenças respiratórias no Brasil, os resultados do mitapivat em pacientes com doença falciforme e o impacto da solidão sobre a saúde mental. Confira os principais dados e suas implicações para a prática médica.
Matérias citadas no episódio de hoje:
- Temperaturas extremas e mortalidade por doenças respiratórias no Brasil
- Mitapivat na doença falciforme no ensaio clínico de fase 3 RISE UP
- Solidão e pior saúde mental no Brasil
O que importa hoje: temperaturas extremas e mortalidade respiratória no Brasil
Estudo publicado na PLOS Climate analisou mais de 1 milhão de óbitos por doenças respiratórias em 646 municípios brasileiros, entre 2010 e 2020. A menor mortalidade foi observada a 22,4 °C. Em temperaturas mais elevadas, o risco aumentou 43%. Nos dias mais frios, a elevação foi de 29%. Ao todo, 6,08% das mortes, cerca de 66 mil, foram atribuídas a temperaturas não ideais.
O impacto do calor predominou no Norte e no Nordeste, enquanto o frio teve maior participação no Sul. Na prática clínica, os resultados indicam que eventos térmicos extremos devem ser considerados no cuidado de idosos e de pacientes com asma e doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC.
O efeito do calor surgiu nos primeiros dias de exposição. Já o impacto do frio se prolongou por até três semanas. Por se tratar de um estudo ecológico, os resultados não permitem inferir o risco individual, mas apoiam a implementação de sistemas de alerta precoce para ondas de calor e de frio.
O que muda na prática: mitapivat eleva hemoglobina na doença falciforme
O ensaio clínico de fase 3 RISE UP, publicado no The Lancet, avaliou o mitapivat em 207 pacientes com doença falciforme, anemia e crises dolorosas recorrentes. O estudo incluiu participantes com mais de 16 anos, recrutados em 69 centros de 15 países, com participação brasileira.
Após 52 semanas, 41% dos pacientes tratados com 100 mg de mitapivat duas vezes ao dia apresentaram aumento de pelo menos 1 g/dL na hemoglobina. No grupo placebo, essa resposta ocorreu em 3% dos participantes. A taxa anual de crises dolorosas caiu de 3,1 para 2,6, mas a diferença não atingiu significância estatística.
Os resultados validam um novo mecanismo de ação contra a hemólise crônica, um dos principais motores das complicações da doença falciforme. O mitapivat é um ativador oral da piruvato quinase e foi avaliado como tratamento de uso contínuo. Eventos adversos graves foram menos frequentes com o medicamento do que com placebo.
A ausência de benefício significativo sobre as crises vaso-oclusivas, entretanto, limita seu papel neste momento. O pedido de aprovação nos Estados Unidos aguarda decisão da FDA, prevista para novembro.
Radar: solidão é o fator mais associado à pior saúde mental no Brasil
A quinta edição do Panorama da Saúde Mental, elaborada pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, ouviu 4.601 brasileiros. Entre os participantes, 36,5% relataram ter se sentido sozinhos ao menos uma vez nas duas semanas anteriores ao levantamento.
A solidão foi o fator mais associado à pior saúde mental. O índice empregado na pesquisa, que varia de 0 a 1.000 pontos, apresentou média nacional de 671. Entre as pessoas que relataram solidão três ou mais vezes no período, a pontuação caiu para 383. Solteiros e indivíduos com diagnóstico prévio de transtorno mental foram os grupos mais afetados.
Para médicos, os dados reforçam a importância de abordar solidão e rede de apoio durante a consulta, especialmente entre pacientes com depressão, ansiedade ou doenças crônicas. Encontrar amigos apareceu como o principal fator de proteção. O uso de inteligência artificial como companhia, por sua vez, esteve associado a indicadores mais desfavoráveis.
Como o levantamento é transversal, não é possível estabelecer causalidade entre os fatores observados.
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Autoria
Redação Afya News
Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.
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