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Endocrinologia30 outubro 2026

Casos de anorexia e bulimia crescem e ampliam desafio diagnóstico

Entre 1990 e 2023, os casos de anorexia e bulimia aumentaram 71% no mundo, segundo análise de 204 países e territórios.
Por Bruna Lupp

O estudo Global Burden of Disease 2023, publicado no JAMA Psychiatry em 28 de outubro de 2026, analisou a carga mundial de anorexia e bulimia. A pesquisa reuniu dados populacionais e registros de mortalidade para estimar a carga global, o perfil etário e a necessidade de detecção precoce.

As estimativas cobrem 204 países e territórios, entre 1990 e 2023, com projeções até 2050. Os resultados derivam de modelagem epidemiológica, e não do acompanhamento individual dos milhões de pessoas contabilizados.

Anorexia nervosa: considerações diagnósticas

18,1 milhões de casos marcam a carga global

Em 2023, aproximadamente 18,1 milhões de pessoas viviam com anorexia nervosa ou bulimia nervosa no mundo, segundo estimativas do estudo. Desse total, 3,92 milhões apresentavam anorexia e 14,2 milhões, bulimia. A prevalência padronizada por idade alcançou 225,6 casos por 100 mil habitantes, com intervalo de incerteza de 95% entre 173,1 e 301,2.

O impacto desses transtornos correspondeu a 3,83 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs). A bulimia respondeu por 2,98 milhões desse total, enquanto a anorexia concentrou 847 mil DALYs. Os indicadores dimensionam a perda de extensão e qualidade de vida associada às duas condições na população mundial.

Entre 1990 e 2023, o número absoluto de casos aumentou 71%, enquanto a prevalência padronizada por idade cresceu 20,6%. No mesmo período, os casos de bulimia aumentaram 75,1%, ante 57,9% para anorexia. Os resultados mostram crescimento tanto do número de pessoas afetadas quanto das taxas ajustadas para diferenças na estrutura etária da população.

A distribuição geográfica também apresentou contrastes. A Australásia (Austrália e Nova Zelândia) registrou a maior prevalência regional padronizada, com 946,4 casos por 100 mil habitantes, enquanto a África Subsaariana Central apresentou 114,8. Já o Leste Asiático concentrou o maior crescimento proporcional dessa taxa desde 1990, com aumento de 61,5%.

Esses resultados derivam de estimativas populacionais construídas com dados de 204 países e territórios, não de acompanhamento individual de pacientes. Os pesquisadores destacam diferenças na disponibilidade de dados epidemiológicos entre regiões, especialmente em países de baixa renda, o que exige cautela nas comparações geográficas.

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Qual é o perfil etário e por sexo dos casos?

As mulheres concentraram 12,6 milhões de casos, equivalentes a 69,4% do total, enquanto os homens responderam por 5,5 milhões (30,6%). A prevalência padronizada por idade foi de 318,3 por 100 mil mulheres, ante 135,7 por 100 mil homens. Os pesquisadores apontam possíveis contribuições de fatores biológicos, psicossociais e socioculturais para essa diferença, mas não determinaram o peso individual de cada fator.

Pessoas de 10 a 24 anos representaram 41,2% dos casos. A prevalência conjunta atingiu o pico entre 20 e 24 anos, com 487,3 casos por 100 mil habitantes. Entretanto, os transtornos apresentaram distribuições etárias distintas.

Na anorexia nervosa, a maior prevalência ocorreu entre 15 e 19 anos, com 133,8 casos por 100 mil habitantes. Na bulimia, o pico foi observado entre 30 e 34 anos, com 388,8 por 100 mil. Essas diferenças reforçam a relevância de considerar distintas faixas etárias na identificação dos transtornos.

Os autores também discutem limitações dos registros assistenciais, que podem deixar de contabilizar pessoas sem diagnóstico ou acompanhamento especializado. Esse problema pode ser particularmente relevante na bulimia, devido à ocultação dos comportamentos alimentares e à menor frequência de baixo peso ou instabilidade fisiológica que demande hospitalização.

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Pesquisadores propõem detecção precoce na atenção primária

Os autores projetam 21,8 milhões de pessoas com anorexia e bulimia em 2050, crescimento de 20,3% frente a 2023. A previsão sustenta o planejamento de serviços, mas depende de modelos e está sujeita a incertezas.

Na aplicação clínica, os pesquisadores defendem fluxos de detecção precoce na atenção primária e nas escolas, além de integração com serviços de saúde mental. Também propõem capacitação profissional e redução de barreiras ao acesso, sem avaliar um protocolo diagnóstico específico.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

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