Nesta edição do Afya News, confira a aprovação do Enamed como condição para o exercício da medicina, as orientações da American Society of Nephrology para o manejo da síndrome cardiovascular-renal-metabólica na doença renal crônica e os resultados da monitorização contínua de glicose em adultos com diabetes tipo 2 sem uso de insulina.
Matérias citadas no episódio de hoje:
O que importa hoje: Enamed será condição para o exercício da medicina
O Senado aprovou, em 15 de outubro, a Medida Provisória nº 1.370/2026, que institui o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed, como condição para o exercício da medicina. O texto segue para sanção presidencial. O exame será aplicado pelo Ministério da Educação ao final do segundo, do quarto e do sexto anos do curso. O registro profissional dependerá de um nível mínimo de proficiência, que será definido pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica.
A exigência será válida para estudantes de medicina que ingressaram a partir de 19 de junho de 2026. Alunos que já estavam matriculados e médicos com diploma reconhecido continuarão submetidos às regras anteriores.
Formados que não alcançarem a nota mínima poderão refazer a terceira etapa e receberão uma inscrição que não permite o atendimento de pacientes. A etapa final do Enamed também poderá ser utilizada na seleção para programas de residência médica.
O que muda na prática: manejo da síndrome cardiovascular-renal-metabólica na DRC
A American Society of Nephrology publicou uma orientação prática com 15 pontos para o manejo da síndrome cardiovascular-renal-metabólica na doença renal crônica. O documento inclui grupos pouco contemplados na diretriz conjunta de 2026, como pacientes em diálise, transplantados e pessoas com glomerulopatias. A recomendação é integrar o estadiamento CKM à classificação KDIGO e utilizar a equação PREVENT, que incorpora a taxa de filtração glomerular estimada e a albuminúria, para estimar o risco cardiovascular.
Para a maioria dos pacientes, a base terapêutica sugerida é a associação de inibidor do sistema renina-angiotensina-aldosterona, iSRAA, com inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2, iSGLT2, quando a TFGe estiver acima de 20, além de estatina.
A finerenona é indicada no diabetes tipo 2 com albuminúria residual. Terapias baseadas em GLP-1 são consideradas na obesidade ou quando a relação albumina-creatinina é igual ou superior a 100 mg/g. Quedas de até 30% na TFGe são esperadas e não justificam a suspensão do tratamento. A orientação aponta a inércia terapêutica como o maior risco.
Radar: monitorização contínua reduz HbA1c no diabetes tipo 2 sem insulina
Um ensaio clínico randomizado publicado no NEJM avaliou a monitorização contínua de glicose em 283 adultos com diabetes tipo 2 que não utilizavam insulina. Realizado em 22 serviços de atenção primária nos Estados Unidos, o estudo comparou a CGM ao cuidado habitual. Após 26 semanas, a hemoglobina glicada caiu de 8,8% para 7,2% no grupo que utilizou o sensor e de 8,7% para 8,0% no grupo controle, com diferença ajustada de 0,9 ponto percentual.
O tempo no alvo glicêmico foi 21 pontos percentuais maior entre os participantes que utilizaram a monitorização contínua, sem registro de hipoglicemia grave. Os resultados ampliam o possível papel da CGM para além dos pacientes insulinizados, especialmente na atenção primária.
O retorno imediato sobre os efeitos da alimentação e da atividade física pode apoiar mudanças de comportamento e ajustes terapêuticos. Entre as limitações, o seguimento durou apenas seis meses e o estudo foi financiado pela Dexcom, fabricante do dispositivo.
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