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Pediatria21 fevereiro 2025

Método Quick-Wee como ferramenta de coleta de urina em lactentes

A coleta adequada de urina na pediatria é um desafio e de fundamental importância para o diagnóstico e tratamento clínico corretos  
Por Amanda Neves

Métodos não invasivos para coleta de urina como o saco coletor e o clean catch (“captura limpa”) são úteis, mas estão sujeitos a maior taxa de contaminação, falhas e demora na coleta. Por outro lado, cateterismo vesical e punção suprapúbica, fornecem resultados mais fidedignos, mas são invasivos.   

Com o objetivo de avaliar técnicas que auxiliem no processo da coleta de urina, pesquisadores analisaram um método para estimular a diurese de bebês, o quick-wee. O estudo realizado foi do tipo randomizado e controlado. Os participantes elegíveis foram lactentes entre 1 e 12 meses de idade que necessitavam de uma amostra de urina no Hospital Pediátrico Mayo na Irlanda no período de fevereiro a julho de 2019. No total, 140 pacientes foram alocados de modo aleatório para receber a aplicação do método quick – wee, sendo 73 inseridos no grupo intervenção e 67 no grupo controle (coleta padrão sem estímulo adicional) no período experimental de 5 minutos.  

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médico segurando um exame de urina

Sobre a técnica de coleta de urina em bebês

A técnica quick-wee consiste na aplicação de uma gaze embebida em soro fisiológico frio na área suprapúbica do bebê de forma circular por 5 minutos. A urina do jato médio é coletada em um recipiente estéril, sendo a micção resultante da contração do detrusor desencadeada pelo estímulo frio.   

No que concerne aos resultados, não foi verificado um aumento estatisticamente significativo nas amostras de urina obtidas no grupo intervenção em comparação com o grupo controle no desfecho primário de diurese em cinco minutos (25% dos pacientes no grupo intervenção versus 18% do grupo controle; p=0,4; intervalo de confiança [IC] de 95%: − 7% a + 20%).  

Comentários sobre o estudo e técnica quick-wee

Cabe destacar que o estudo descrito foi uma replicação do estudo de Kauffman, onde a técnica quick-wee resultou em uma taxa significativamente maior de micção em cinco minutos em comparação com o método padrão de coleta (31% versus 12%; p < 0,001; intervalo de confiança [IC] de 95%: 11% a 28%).  

Apesar do estudo irlândes não demonstrar diferença estatística relevante ao comparar os dois grupos, o quick-wee tem se mostrado como ferramenta de coleta barata e prática baseada no estímulo do reflexo miccional em lactentes sem controle esfincteriano. Contudo, mais estudos são necessários a fim de avaliar a sua aplicabilidade.

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Referências bibliográficas

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