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Pediatria13 janeiro 2025

Estudo avalia a hipofosfatemia e a sepse em bebês extremamente prematuros 

Estudo de caso-controle analisa se há associação entre hipofosfatemia e sepse tardia em neonatos extremamente prematuros

Em neonatologia, a síndrome de realimentação (SR) é uma condição cuja incidência é de até 20% com consequentes sequelas generalizadas. A SR consiste em uma série de complicações bioquímicas decorrentes da reintrodução de nutrição em pacientes desnutridos, incluindo a hipofosfatemia. Nos últimos anos, estudos envolvendo essa temática têm ganhado destaque. Por outro lado, a sepse de início tardio (SIT) ainda é frequente em bebês extremamente prematuros e está entre as principais causas de mortalidade e deficiência do neurodesenvolvimento nesses pacientes. É definida variavelmente como sepse em recém-nascidos (RN) com mais de 48–72 horas de vida.  

A hipofosfatemia é reconhecida como um fator de risco reversível para infecção em crianças e adultos. Atualmente, há evidências emergentes de que também é um relevante fator de risco no RN.  Dessa forma, um estudo de caso-controle muito interessante publicado em 2024 objetivou avaliar se a hipofosfatemia predispõe à sepse tardia em RN extremamente prematuros. O artigo foi publicado no Journal of Paediatrics and Child Health. 

Metodologia 

O estudo foi conduzido em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) da Austrália no período de 2016 a 2020. Para a pesquisa, a SR foi definida como a presença de hipofosfatemia < 1,25 mmol/L na primeira semana e < 1,5 mmol/L na segunda semana, de acordo com os intervalos do laboratório da unidade.  

Os casos eram RN nascidos antes de 29 semanas de idade gestacional (IG) com infecção bacteriana localizada após 72 h de vida ou SIT confirmada (definida pela presença de hemocultura positiva e sintomas clínicos de sepse). Dois controles, pareados dentro de duas semanas gestacionais e 90 dias corridos, foram selecionados por caso. Foram excluídos os casos sem controle nascidos dentro de uma semana de gestação e dentro de 90 dias corridos e RN admitidos após completar 24h de vida.  

Leia também: Terapia Nutricional de Precisão em UTI

Resultados 

A coorte final resultou em 48 casos e 93 controles. Os casos e controles nasceram em IG semelhantes e seus fatores de risco pré-natal e perinatal foram comparáveis, incluindo uma variedade de doenças obstétricas, exposição a corticoides pré-natais e antibióticos intraparto, ruptura prematura prolongada de membranas antes do parto, corioamnionite, APGAR e gases do cordão umbilical. 

Ao nascer, o peso médio para os casos foi de 767 g versus 901 g nos controles (P = 0,01). Foi observado que houve mais bebês pequenos para a IG (PIG) ​​entre os casos, embora isso não tenha sido estatisticamente significativo (13% vs. 6,5%, P = 0,19). Foi observado também que os casos tiveram uma maior duração média de ventilação (2 vs. 1 dia, P = 0,04). Além disso, o uso de acesso central, suporte inotrópico, tratamento do ducto arterioso patente e exposição a esteroides antes do início da infecção ou dia pós-natal correspondente foram semelhantes. 

Com relação à hipofosfatemia, a frequência foi maior nos casos (26% vs. 15%, P = 0,18). O aumento da proteína parenteral na primeira semana foi um fator protetor contra SIT (odds ratio [OR] = 0,9, intervalo de confiança de 95% [IC 95%] 0,76–1,00, P = 0,04); mediana de 2,1 g/kg/dia nos casos, 2,3 g/kg/dia nos controles.  

Conclusão 

Embora tenha sido mais frequente nos casos do que nos controles, a hipofosfatemia não foi significativamente associada à SIT. Todavia, apesar das práticas nutricionais parenterais recomendadas com fornecimento precoce de eletrólitos em neonatologia, a hipofosfatemia da SR é frequente em RN extremamente prematuros e, portanto, deve ser monitorada rigorosamente para que seu tratamento seja prontamente instituído. No entanto, as pesquisadoras ressaltam que conclusões definitivas sobre a relação entre hipofosfatemia e SIT não podem ser tiradas do presente estudo e sugerem a condução de um estudo prospectivo randomizado adicional. Por fim, o baixo fornecimento de proteína parenteral pode ser um fator de risco independente para infecção nessa população.  

Comentário: hipofosfatemia e a sepse em bebês prematuros  

Infelizmente, o RN extremamente prematuro faz parte de uma população extremamente vulnerável devido à imaturidade do sistema imunológico e também do sistema metabólico. Portanto, a hipofosfatemia pode estar associada a complicações, tanto infecciosas quanto metabólicas. A amostra pequena do estudo acaba prejudicando o resultado final, não tendo sido encontrada, portanto, significância estatística. Mesmo assim, é importante destacar a importância do monitoramento rigoroso e individualizado dos eletrólitos e do manejo nutricional em UTIN.

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