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Pediatria24 março 2026

Diretriz IDSA/PIDS 2026: qual o melhor método de drenagem no empiema infantil?

Diretriz orienta o manejo do empiema infantil, com foco em drenagem com fibrinolíticos, eficácia e menor invasividade.

Esta publicação integra a atualização recente das recomendações das Sociedades de Doenças Infecciosas Americana (IDSA) e da Sociedade de Doenças Infecciosas Pediátricas (PIDS), publicadas em 2026, sobre o manejo da pneumonia infantil. 

Manejo do empiema: o que orienta a nova diretriz 

Nesse contexto, esta seção do guia aborda especificamente o empiema, analisando os riscos e benefícios das principais estratégias terapêuticas atualmente utilizadas. A diretriz compara diferentes formas de manejo, com foco em desfechos clínicos relevantes, como eficácia do tratamento, menor grau de invasividade, redução do tempo de internação, necessidade de novas intervenções e duração do uso de drenos em cada abordagem. 

Além disso, a análise do custo e disponibilidade de cada procedimento foi levado em consideração para realizar as recomendações.  

Este ponto é um tema de discussão frequente entre os profissionais, sendo comum a realização da colocação do dreno sem outras intervenções, mesmo com publicações atuais demonstrando que o dreno associado a fibrinolíticos tenha benefício. O questionamento também era sobre qual tem mais benefício, o desbridamento químico ou cirúrgico do empiema.  

Metodologia 

O guia é baseado em uma revisão sistemática abrangente utilizando o sistema GRADE, avaliando a certeza da evidência e a força de recomendação dos itens recomendados.  

Na revisão, atenderam os critérios 4 ensaios clínicos randomizados sobre o tema e 3 estudos de coorte retrospectivos 

O guia não incluía artigos de regiões ou populações com recursos limitados, levando em conta que a conduta que é realizada em alguns cenários é influenciada pelo fator econômico não sendo a mais adequada para a inclusão no guia, segundo os autores.  

Resultados 

A diretriz recomenda, como primeira opção na maioria dos casos, a drenagem torácica associada ao uso de fibrinolíticos. 

Na análise dos desfechos, o tempo de internação foi, em média, 1,14 dias menor nos pacientes submetidos ao procedimento por vídeo, porém sem significância estatística. 

O risco de reintervenção foi semelhante entre os grupos de drenagem com fibrinolítico e drenagem por vídeo (16,8% versus 17,3%), considerando três dos ensaios clínicos randomizados incluídos. 

O tempo de uso de dreno e de oxigênio foi menor nos pacientes submetidos à videotoracoscopia, com redução de 1,9 dias e 2,3 dias, respectivamente — novamente sem relevância estatística. 

A videotoracoscopia é recomendada como primeira opção em casos com loculações extensas ou quando há falha da drenagem com fibrinolíticos. 

Conclusão  

De forma geral, a revisão identificou resultados semelhantes entre a videotoracoscopia e a drenagem com fibrinolíticos. Ainda assim, a diretriz favorece a drenagem como estratégia inicial, principalmente por ser mais acessível, menos invasiva e associada a menor custo. 

Confira outras atualizações das Sociedades de Doenças Infecciosas Americana (IDSA) e da Sociedade de Doenças Infecciosas Pediátricas (PIDS) sobre o manejo da pneumonia infantil. 

Autoria

Foto de Jandrei Rogério Markus

Jandrei Rogério Markus

Médico Graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela UFPR. Especialização em Dermatologia Pediatria - pela UFPR. Mestrado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Infectologia Pediátrica. Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Dermatologia Pediátrica. Pós-graduado em Controle de Infecções Hospitalar pelo Centro Universitário do Vale da Ribeira. Atuando como médico_ infectologista pediátrico no Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR) e do Hospital Geral Público de Palmas (HGPP). Médico do Serviço de Controle de Infecções da UTI Neonatal do HMDR, UTI Pediátrica do HGPP e da UTI adulto do HGPP. Professor de Pediatria da Afya Faculdade de Ciências Médicas - Porto Nacional-TO. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Pediátrica. Presidente do Departamento Cientifico de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

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Referências bibliográficas

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