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Pediatria16 julho 2026

Clorexidina em curativos de CVC na UTIP: segurança dermatológica

Estudo avalia clorexidina em curativos de cateteres venosos centrais (CVC) na UTIP, com foco em pele, trocas de curativo e ICSRC.
Por Roberta Castro

Os cateteres venosos centrais (CVC) são essenciais para pacientes pediátricos em estado crítico. No entanto, estão associados a complicações infecciosas clinicamente relevantes, apesar das reduções significativas alcançadas por meio de protocolos de inserção e manutenção baseados em evidências. As infecções de corrente sanguínea relacionadas ao cateter (ICSRC), incluindo infecções no sítio de inserção e na corrente sanguínea, estão associadas a períodos de internação mais longos, custos mais elevados de assistência à saúde e maior mortalidade.

Saiba mais: Infecção associada ao cateter venoso central: O que diz a nova diretriz da OMS

O gluconato de clorexidina (GCH) tornou-se uma estratégia fundamental de prevenção de ICSRC devido à sua ampla atividade antimicrobiana e eficácia superior quando comparado a outros antissépticos. Curativos impregnados com essa substância podem reduzir a colonização cutânea e as ICSRC. No entanto, sua eficácia e segurança em pediatria permanecem incertas. Avaliar a segurança dermatológica de curativos impregnados com GCH em pacientes pediátricos que necessitam de CVC foi o objetivo de um estudo publicado na revista Nursing in Critical Care. Ademais, o estudo também explorou seu impacto em desfechos relacionados ao cateter.

Clorexidina em curativos de CVC na UTIP: segurança dermatológica

Como o estudo avaliou os curativos em uma UTIP?

Conduzido na Espanha, o estudo consistiu em um ensaio clínico randomizado (ECR) prospectivo e de simples-cego em uma unidade de terapia intensiva pediátrica (UTIP) de nível terciário em Sevilha. Em um contexto de prática clínica de rotina, os pacientes foram alocados aleatoriamente para receber um curativo transparente convencional (grupo controle) ou um curativo que incorporava uma almofada de gel com gluconato de clorexidina (GCH) a 2% (grupo intervenção).

Foram incluídos pacientes pediátricos com idade maior ou igual a dois meses que necessitavam da inserção de um CVC, independentemente de ele ter sido inserido por via periférica ou diretamente em uma veia central. Os critérios de exclusão foram: presença de distúrbios imunológicos preexistentes, neutropenia absoluta (<500 neutrófilos/μL) em qualquer momento durante a internação na UTIP, infecção ou colonização prévia por microrganismos multirresistentes antes da admissão na UTIP, ou caso não tivesse sido obtido o termo de consentimento informado de seus pais ou responsáveis legais.

O desfecho primário consistiu na ocorrência de alterações tegumentares no local de inserção do CVC. Os desfechos secundários incluíram a incidência de ICSRC e variáveis relacionadas à manutenção do cateter.

Saiba mais: Infecção por cateter: qual a melhor antissepsia?

Achados dermatológicos e idade dos pacientes

Um total de 250 pacientes foi incluído e alocado de forma equitativa no grupo controle (n = 125) ou no grupo de curativo com gluconato de clorexidina (grupo intervenção, n = 125). A idade média dos participantes foi de 56,6 meses, com desvio-padrão (DP) de ± 55,1. Foi observada uma leve predominância de meninos (55,6%). O peso corporal médio foi de 20,1 kg (DP ± 17,1), sem diferenças estatisticamente significativas entre os grupos.

Foram descritas alterações cutâneas em 14% dos pacientes, sem diferenças significativas entre os grupos (16,8% vs. 11,2%; p=0,202). No entanto, as alterações dermatológicas ocorreram em idade significativamente menor no grupo intervenção (6,5 ± 4,8 vs. 46,0 ± 43,2 meses; p=0,003), observando-se padrão semelhante para o prurido.

Uma interação significativa entre o tipo de curativo e a idade foi observada na análise multivariada, indicando respostas dermatológicas dependentes da idade. Ademais, os curativos com GCH foram associados a intervalos mais longos entre as substituições e a um menor número de trocas. Por fim, a incidência de ICSRC foi menor no grupo que recebeu curativos com GCH (2,4% vs. 18,4%; p<0,001), embora este tenha sido um desfecho secundário.

Saiba mais: Hemocultura de cateter venoso central (CVC)

Mensagem prática para a UTIP

O estudo concluiu que curativos impregnados com gluconato de clorexidina (GCH) no grupo intervenção apresentaram um perfil de segurança dermatológica aceitável. Além disso, embora tenham ocorrido reações cutâneas em pacientes mais jovens, sua utilização foi associada a melhores desfechos relacionados ao cateter. Na prática, o uso do GCH nos curativos pode favorecer um manejo mais seguro de CVC. Contudo, um monitoramento dermatológico cuidadoso deve ser conduzido, especialmente em lactentes.

Autoria

Foto de Roberta Castro

Roberta Castro

Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Faculdade de Medicina de Valença, com residência em pediatria e medicina intensiva pediátrica. Mestrado (UFF). Doutorado (UERJ). Além da atuação na Afya, atua como professora de pediatria (UERJ), rotina da enfermaria de pediatria (UERJ) e consultório particular.

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