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Terapia Intensiva20 fevereiro 2026

Infecção por cateter: qual a melhor antissepsia?

Revisão avaliou a concentração e formulação de clorexidina ou iodopovidona associada à menor incidência de infecções relacionadas com cateter

Recentemente, foi publicada uma revisão sistemática com meta-análise em rede de ensaios clínicos randomizados, comparando clorexidina (CHG) e povidona-iodo (PVPI) em diferentes formulações (aquosa vs alcoólica), tipos de álcool (isopropílico vs etanol) e concentrações. O objetivo foi identificar qual estratégia se associa a menor incidência de infecções relacionadas com cateter.

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Infecção por cateter

Cateteres intravasculares são amplamente utilizados na prática hospitalar e, apesar de indispensáveis, seguem como importante fonte de complicações infecciosas. Entre elas, a infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateterconstitui o desfecho clínico mais grave e deve ser diferenciada da infecção primária de corrente sanguínea utilizada em vigilância epidemiológica, que pode superestimar ou subestimar eventos por critérios operacionais e não necessariamente microbiológicos. Nesse contexto, a antissepsia adequada da pele antes da inserção do cateter é um dos pilares preventivos mais relevantes.

Metodologia e Análise Estatística

Os autores conduziram uma revisão sistemática com meta-análise em rede de ensaios clínicos randomizados comparando clorexidina (CHG) e povidona-iodo (PVPI) para antissepsia cutânea antes da inserção de cateteres intravasculares. As intervenções foram agrupadas conforme presença de álcool (aquosa vs alcoólica), tipo de álcool (isopropílico vs etanol) e concentração da clorexidina. Os desfechos incluíram infecção de corrente sanguínea relacionada com cateter, colonização do cateter e infecção local. 

Resultados

Foram incluídos 16 ensaios clínicos randomizados (7803 pacientes; 11.985 cateteres). Em geral, formulações alcoólicas foram mais eficazes do que aquosas. A clorexidina alcoólica foi superior à povidona-iodo alcoólica para reduzir colonização do cateter e infecção local, com tendência de redução da infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter. Concentrações mais altas de clorexidina (≥ 1%) associaram-se a menor risco de infecção e colonização. Entre as soluções alcoólicas, houve sinal de melhor desempenho com álcool isopropílico em comparação ao etanol. 

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Infecção por cateter: qual a melhor antissepsia?

Imagem de wirestock/freepik

Discussão: antissepsia na infecção por cateter

Esta meta-análise sugere que a formulação é determinante: de forma consistente, soluções alcoólicas apresentaram melhor desempenho do que as aquosas na prevenção de infecções relacionadas a cateter. Nesse cenário, a clorexidina em solução alcoólica mostrou vantagem sobre a povidona-iodo alcoólica, principalmente na redução de colonização do cateter e infecção local, com apenas tendência de benefício para infecção de corrente sanguínea relacionada ao cateter. O efeito também parece ser concentração-dependente, com resultados superiores nas formulações de clorexidina ≥ 1%. 

Mensagem final

Na prática, os achados favorecem a padronização de clorexidina em solução alcoólica ≥ 1% como primeira escolha, quando disponível e bem tolerada. Em instituições com opções equivalentes, os resultados sugerem um possível melhor desempenho do álcool isopropílico em comparação ao etanol, embora a evidência não seja definitiva.

Autoria

Foto de Yuri Albuquerque

Yuri Albuquerque

Doutorando em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP) • Residência em Medicina Intensiva pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) • Residência em Clínica Médica ano complementar (R3) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) • Residência em Clínica Médica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) • Médico intensivista rotina do hospital Samaritano Paulista • Título de Especialista em ECMO pela Extracorporeal Life Support Organization (ELSO) • Título de Especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB)

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Referências bibliográficas

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