O Conselho Federal de Medicina (CFM) reforçou, na última terça-feira, 20 de outubro, a vacinação diante dos casos de sarampo nas Américas, inclusive no Brasil. O alerta acompanha a OPAS, que liga o risco a lacunas na cobertura vacinal da tríplice viral.
Na contagem da vigilância por semanas epidemiológicas (SE), eram 47.459 casos até a SE 28 e 55.792, com 77 mortes, até 3 de outubro. O avanço do sarampo nas Américas, 4,8 vezes maior que em igual período de 2025, fez a OPAS pedir mais vacinação, vigilância e resposta rápida.
Em campanha nas redes, o conselho lembra que a vacina é a principal prevenção e está disponível no SUS.

Como evoluem os casos de sarampo no Brasil?
De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde até 16 de outubro, os casos de sarampo no Brasil somam 61 em 2026, todos importados ou relacionados à importação.
Apesar disso, o país mantém a certificação de eliminação, recuperada em 2024. Para o ministério, esses casos não configuram a volta da doença como problema sanitário, mas exigem altas coberturas.
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OPAS recomenda vacinação de viajantes antes de eventos de massa
A OPAS associa o risco a eventos religiosos de massa previstos para Argentina, Peru e Uruguai, pois o vírus é transmitido antes do exantema. Pessoas a partir de 6 meses sem comprovação vacinal devem receber uma dose contra sarampo e rubéola, de preferência duas semanas antes da viagem. Aos médicos, a OPAS recomenda investigar histórico de viagem e vacinação e notificar de imediato todo caso suspeito.
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Cobertura vacinal da tríplice viral fica em 85% na segunda dose
Em 2025, a primeira dose da tríplice viral alcançou 88% nas Américas e a segunda, 85%, aquém dos 95% exigidos para evitar surtos. Isso ampliou os bolsões de pessoas suscetíveis, e cerca de 1,6 milhão de crianças ficou sem nenhuma dose. No Brasil, a primeira dose chegou a 93,10%, também abaixo dos 95%, segundo o Ministério da Saúde.
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Nos Estados Unidos, polo do sarampo nas Américas, os casos passam de 4.400 em 2026, o dobro de 2025. Parte dos especialistas em saúde pública do país defende admitir que a maioria das crianças se recupera e destacar o benefício coletivo da vacina. Para esse grupo, a letalidade de 1 a 3 por 1.000 infectados, estimada pelo CDC, já justificaria a imunização.
Nesse cenário, Felipe Motta, pediatra da Afya, explica que “a maioria das crianças com sarampo realmente se recupera, mas isso não significa que a doença seja inofensiva. O sarampo pode provocar complicações graves, como pneumonia, encefalite e até a morte, especialmente em crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas. A vacinação oferece proteção individual e também coletiva, pois reduz a circulação do vírus e ajuda a proteger quem ainda não pode ser vacinado. No consultório, mais importante do que confrontar os pais é ouvir suas dúvidas e explicar, com clareza, que os riscos da doença são muito maiores do que os associados à vacina, combinando informação científica, e acolhimento.”
O especialista destaca ainda que “para o médico, revisar a caderneta de vacinação deve ser uma prática em todas as consultas, inclusive de adolescentes e adultos. No calendário de rotina do SUS, pessoas de até 29 anos devem comprovar duas doses da tríplice viral, enquanto aquelas de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma dose, considerando recomendações específicas para grupos de maior risco. Também precisamos manter a suspeita clínica diante de pacientes com febre e exantema, especialmente quando associados a tosse, coriza ou conjuntivite e histórico de viagem ou contato com pessoas infectadas. Diante de um caso suspeito, é fundamental adotar imediatamente as medidas de isolamento, realizar a notificação compulsória e iniciar a investigação epidemiológica, sem aguardar a confirmação laboratorial.”
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Giovanna Del Carlo
Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas
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