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Otorrinolaringologia4 novembro 2026

Organoides tumorais podem prever resposta à radioterapia

Projeto investiga modelos 3D com células imunes, estudos de radioterapia mostram resultados iniciais com desafios clínicos dos organoides tumorais.
Por Bruna Lupp

Um projeto brasileiro apoiado pela FAPESP investiga o uso de organoides tumorais para avaliar respostas individualizadas ao tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Iniciada em outubro de 2026, a pesquisa busca desenvolver modelos tridimensionais a partir de fragmentos tumorais ou biópsias dos pacientes. Essas estruturas preservam características genéticas e fenotípicas dos tumores de origem, permitindo testar diferentes abordagens terapêuticas em laboratório.

Um dos objetivos é incorporar células mononucleares do sangue periférico do próprio paciente, ampliando a representação do microambiente tumoral. Nesta primeira fase, os pesquisadores pretendem validar protocolos de cultivo com e sem essas células, além de padronizar os prazos e a logística dos testes. Estudos independentes já avaliaram a resposta à radioterapia nesses modelos, mas ainda não estabeleceram sua utilização para definir condutas clínicas.

Organoides medem a resposta à radioterapia?

Um estudo publicado na Materials Today Bio em 2026 investigou a capacidade dos organoides de prever a resposta à radioterapia em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Os pesquisadores cultivaram células tumorais em estruturas tridimensionais, aplicaram diferentes doses de radiação e avaliaram a sobrevivência celular. O objetivo era verificar se a sensibilidade observada em laboratório correspondia aos resultados clínicos dos pacientes.

Dos 76 pacientes inicialmente incluídos, 43 tiveram testes de radiossensibilidade realizados com sucesso. A análise clínica principal reuniu 14 participantes com tratamento radioterápico definitivo e acompanhamento mínimo de um ano. Nesse grupo, o modelo multiparamétrico desenvolvido pelos autores (OncoSensi, que combina crescimento dos organoides e resposta à radiação) apresentou sensibilidade de 80% e especificidade de 75% para recorrência em 1 ano. O modelo foi proposto e avaliado nos mesmos 14 pacientes, sem validação externa.

Apesar dos resultados, a pequena amostra, o desenho retrospectivo e a ausência de validação externa exigem cautela. O parâmetro isolado de radiossensibilidade não mostrou diferença significativa na sobrevida livre de recorrência (p = 0,655).

Evidência anterior, também preliminar, aponta na mesma direção. Um estudo publicado na Med em 2023 identificou associação entre a radiossensibilidade dos organoides e o tempo até a recorrência em pacientes submetidos à radioterapia adjuvante. A análise incluiu 15 pacientes e encontrou associação estatisticamente significativa para um dos parâmetros avaliados (GR50; p = 0,01), mas não para a viabilidade celular a 2 Gy (p = 0,08).

Entretanto, entre os seis pacientes tratados com radioterapia primária, não houve associação significativa, reforçando a necessidade de validação clínica em amostras maiores.

Saiba mais: Consenso: Reirradiação para carcinoma espinocelular recorrente de cabeça e pescoço

Células imunes integram modelos tumorais

O projeto brasileiro pretende incorporar células imunes obtidas do sangue do mesmo paciente aos organoides cultivados em laboratório. Segundo a proposta da pesquisa, essa combinação busca reproduzir componentes do microambiente tumoral e ampliar a avaliação funcional dos tratamentos.

A inclusão dessas células ainda integra os objetivos de desenvolvimento e validação do protocolo. Não há, até o momento, dados que demonstrem que esse recurso aumente a precisão das previsões ou determine a resposta individual à imunoterapia.

Saiba mais: Eficácia dos inibidores de checkpoint imunológico no câncer de cabeça e pescoço

Validação clínica permanece limitada

Obter culturas utilizáveis continua sendo uma dificuldade: no estudo de 2026, os testes foram realizados com sucesso em 43 amostras de 76 pacientes. Apenas 14 participantes reuniram tratamento radioterápico definitivo e acompanhamento suficiente para a principal comparação clínica.

Persistem questões sobre a representatividade das amostras e o prazo necessário para orientar decisões. O projeto prevê padronizar a logística dos testes, e o estudo de 2026 recomenda validação prospectiva em grupos maiores.

Assim, os organoides tumorais seguem em investigação como ferramenta complementar, sem evidência suficiente para orientar a escolha entre cirurgia e quimiorradioterapia. O projeto prevê validar o protocolo de produção desses modelos, enquanto estudos maiores deverão investigar sua validação clínica.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

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