Pesquisadores do Radboud University Medical Center, na Holanda, desenvolveram uma técnica de reconstrução clitoriana destinada a mulheres que precisam retirar parte do clitóris durante o tratamento cirúrgico do câncer vulvar. A proposta busca preservar a sensibilidade e a função sexual depois da remoção do tumor. Os resultados iniciais foram obtidos em 23 pacientes.
A necessidade da reconstrução surge principalmente quando o tumor está localizado no clitóris ou em áreas próximas. Nesses casos, pode ser necessária a retirada de parte da estrutura durante a cirurgia oncológica. Segundo o material divulgado pelo centro médico, anteriormente a ferida era fechada após a ressecção, deixando o remanescente do clitóris sob uma camada de pele. Esse procedimento não tinha como objetivo específico preservar a possibilidade de orgasmo ou outros aspectos da função sexual.
Técnica busca preservar os feixes nervosos
Após a retirada do tumor, a técnica busca reconstruir a extremidade do clitóris preservando sua sensibilidade. Para isso, os feixes nervosos são liberados e reposicionados, formando uma nova ponta clitoriana. Em seguida, essa área é recoberta com um pequeno enxerto de mucosa bucal.
Segundo os pesquisadores, a escolha desse tecido ocorre porque ele apresenta características semelhantes às da região ao redor da vulva. A combinação entre o reposicionamento dos feixes nervosos e o enxerto tem como objetivo manter a sensibilidade clitoriana após a cirurgia oncológica.
Além disso, a reconstrução acrescenta apenas cerca de 15 minutos ao tempo cirúrgico, de acordo com o Radboudumc. O centro médico informa ainda que aproximadamente 450 mulheres são diagnosticadas com câncer vulvar todos os anos na Holanda e, em cerca de um quarto desses casos, o tumor envolve o clitóris ou a região ao redor.
Orgasmo clitoriano voltou em grande parte das primeiras pacientes
Os resultados iniciais foram observados em 23 mulheres com câncer vulvar submetidas à reconstrução. Entre elas, 90% conseguiram voltar a atingir orgasmo clitoriano depois da cirurgia. A recuperação dessa capacidade ocorreu, em geral, entre três e seis meses após o procedimento.
A sensibilidade, entretanto, pode variar durante o período de recuperação. Segundo a equipe do Radboudumc, o clitóris pode inicialmente ficar mais sensível ou, ao contrário, apresentar redução da sensibilidade. A recuperação tende a evoluir ao longo do tempo e, na maioria das mulheres, a sensação retorna a um nível comparável ao período anterior à cirurgia. O material indica que a recuperação costuma atingir seu melhor resultado após aproximadamente um ano.
Esses achados ainda são iniciais. O próprio grupo responsável pela técnica ressalta que serão necessários novos estudos para determinar se a reconstrução melhora efetivamente a função sexual e a qualidade de vida das pacientes.
Além do uso após cirurgia para câncer vulvar, os pesquisadores apontam que a reconstrução também pode ter aplicação em mulheres que sofreram mutilação genital. O material enviado, porém, não apresenta resultados clínicos dessa aplicação nem informa se pacientes com esse histórico já foram submetidas à técnica.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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