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Oncologia3 novembro 2026

SOFT e TEXT atualizam terapia endócrina adjuvante no câncer de mama

Estudos SOFT e TEXT mostram resultados de 15 anos da terapia endócrina adjuvante e ajudam a individualizar o tratamento do câncer de mama.
Por Thiago Branco

Análise final de 15 anos compara tamoxifeno, supressão ovariana e exemestano em mulheres na pré-menopausa e identifica os grupos com maior benefício.

A escolha da terapia endócrina adjuvante no câncer de mama inicial com receptores hormonais positivos em mulheres na pré-menopausa tem como objetivo reduzir a recorrência e proporcionar benefício em sobrevida, às custas de eventos adversos manejáveis. Os resultados finais dos ensaios SOFT e TEXT, publicados no Annals of Oncology em 2026, apresentam estimativas após 15 anos de acompanhamento e permitem examinar diferenças conforme o risco clínico.

O estudo aponta que intensificar a terapia endócrina com supressão da função ovariana reduz eventos relacionados ao câncer de mama. Entretanto, o ganho de sobrevida global não é uniforme: torna-se mais relevante em subgrupos de maior risco, especialmente pacientes muito jovens e aquelas com tumores de alto grau e HER2-negativos.

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Como foram conduzidos os ensaios SOFT e TEXT?

Os dois estudos de fase III incluíram mulheres na pré-menopausa com câncer de mama inicial e receptores hormonais positivos. A população por intenção de tratar reuniu 3.047 participantes no SOFT e 2.660 no TEXT. No SOFT, as pacientes foram randomizadas para cinco anos de tamoxifeno isolado, tamoxifeno associado à supressão ovariana ou exemestano associado à supressão ovariana.

No TEXT, a comparação ocorreu entre tamoxifeno mais supressão ovariana e exemestano mais supressão ovariana, também por cinco anos. O uso de quimioterapia era permitido conforme o protocolo e o contexto clínico. Entre os desfechos avaliados estavam sobrevida livre de doença, intervalo livre de câncer de mama, intervalo livre de recorrência à distância e sobrevida global.

Supressão ovariana reduz eventos no estudo SOFT

Aos 15 anos, a proporção livre de eventos relacionados ao câncer de mama foi de 78,6% com exemestano mais supressão ovariana, 75,7% com tamoxifeno mais supressão ovariana e 72,1% com tamoxifeno isolado. A comparação entre tamoxifeno com supressão ovariana e tamoxifeno isolado favoreceu significativamente a combinação, com hazard ratio (HR) de 0,82 (IC95% 0,69–0,98; p = 0,03).

Na coorte que não recebeu quimioterapia, a supressão ovariana reduziu os eventos relacionados ao câncer de mama, mas a sobrevida global e o intervalo livre de recorrência à distância permaneceram elevados independentemente da terapia endócrina. Nesse grupo, portanto, os desfechos de longo prazo permaneceram favoráveis entre as diferentes estratégias endócrinas avaliadas.

 

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Quais pacientes tiveram maior benefício em sobrevida?

Entre 1.257 pacientes com tumores HER2-negativos que haviam recebido quimioterapia antes da entrada no SOFT, a sobrevida global em 15 anos foi de 81,0% com exemestano mais supressão ovariana, 77,1% com tamoxifeno mais supressão ovariana e 76,8% com tamoxifeno isolado.

No subgrupo de 241 mulheres com menos de 35 anos e tumores HER2-negativos, as taxas correspondentes foram de 82,5%, 77,9% e 68,1%. Ou seja, a população mais jovem com tumores HER2-negativos parece se beneficiar mais substancialmente da supressão ovariana.

Exemestano diminui recorrência à distância na análise conjunta

Na análise combinada dos estudos SOFT e TEXT, entre 4.035 mulheres com tumores HER2-negativos, exemestano mais supressão ovariana reduziu a recorrência à distância em comparação com tamoxifeno mais supressão ovariana (HR 0,75; IC95% 0,63–0,90).

A redução relativa de mortes foi menor e apresentou intervalo de confiança compatível com ausência de diferença estatisticamente conclusiva (HR 0,89; IC95% 0,74–1,06). Os maiores benefícios absolutos em sobrevida novamente se concentraram nas pacientes com características de alto risco, particularmente idade jovem ou tumores de alto grau.

 

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O que os resultados mudam na prática clínica?

Os resultados de 15 anos apoiam a intensificação da terapia endócrina adjuvante em mulheres na pré-menopausa com menos de 35 anos e maior risco clínico. Para essas pacientes, a supressão ovariana associada ao exemestano pode oferecer vantagens relevantes, enquanto o tamoxifeno isolado pode continuar sendo uma alternativa em contextos de menor risco.

É essencial não interpretar a redução da recorrência à distância como prova de aumento da sobrevida global para todas as pacientes. A análise apresenta acompanhamento de longo prazo, mas os subgrupos têm tamanhos diferentes, e os resultados não eliminam a necessidade de considerar tolerabilidade, preferências e características individuais antes de definir o tratamento.

 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial, com supervisão e revisão médica antes da publicação.

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com residência médica em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia Clínica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Membro titular da Sociedade Clínica de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Torácica (GBOT). Além da atuação na Afya, também é pesquisador em Oncologia Torácica, Oncologista na empresa Américas Oncologia e no serviço público.

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