A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) publicou em setembro de 2026 um panorama da atenção ao câncer de mama no SUS. O relatório faz um recorte racial dos dados do DATASUS de 2015 a 2025 e aponta tempo para início do tratamento acima do prazo legal.
O estudo é observacional e descritivo, sem teste de associação entre as variáveis. As mamografias vêm do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA), e as internações, do Sistema de Informação Hospitalar (SIH), cada uma com denominador próprio. Registros sem raça/cor ficaram fora dos cálculos, o que excluiu 19,6% das mamografias e 7,2% das internações.

Recorte racial difere entre mamografias e internações
Entre os registros válidos, as brancas somaram 50,0% das mamografias de rastreio, e as negras, 37,2%, distância que diminuiu em 2025 (45,9% e 42,7%). Para a Abrale, os dados de raça indicam sugerem barreiras adicionais para pretas e pardas obterem diagnóstico e tratamento.
Nas internações, a proporção se inverte, com 50,5% de pacientes negras no período e 52,8% em 2025. O custo médio do tratamento dessas mulheres foi 3% superior ao das brancas. O relatório não atribui causa a essa diferença.
Tempo para início do tratamento chega a 123 dias em média
Entre 2015 e 2025, pacientes com câncer de mama no SUS esperaram em média 123 dias entre o diagnóstico e a primeira terapia. Cerca de 57% ultrapassaram o limite de 60 dias da Lei 12.732/2012.
Roraima teve a maior espera, com 195 dias, e o Paraná a menor, com 83 dias, também fora do limite legal. Em 2025, a média nacional caiu para 86 dias, ainda acima do previsto em lei.
Qual a cobertura de mamografia na população de 50 a 69 anos?
A cobertura de mamografia de rastreamento foi de 23% no biênio 2023 a 2024 e de 22,1% em 2025. A OMS preconiza 70% da população-alvo, patamar que o SUS não atingiu em nenhum biênio desde 2015.
O relatório contabilizou ainda 21.668 mortes por câncer de mama em 2025, alta de 39% sobre 2015, possivelmente ligada ao aumento de diagnósticos. Para a Abrale, mesmo os estados com melhor cobertura de mamografia segue longe de uma assistência satisfatória ao câncer de mama no SUS.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Luciano Lucas
Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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