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Oftalmologia2 dezembro 2024

Ceratopatia de exposição: prevalência e fatores de risco entre pacientes críticos

Se o tratamento apropriado não for feito, a ceratopatia de exposição pode levar à necessidade de cirurgia oftalmológica de urgência e perda visual definitiva.  

A ceratopatia de exposição é a mais frequente doença da superfície ocular em pacientes críticos, atingindo a córnea em diferentes graus de gravidade e extensão, e resultando de fechamento palpebral incompleto associado a anomalias do filme lacrimal.   

Se não for identificada precocemente, e o tratamento apropriado não for feito, poderá causar inflamação progressiva com eventual ulceração e perfuração da córnea, condições essas que podem levar à necessidade de cirurgia oftalmológica de urgência e perda visual definitiva.  

A prevalência e a incidência de ceratopatia de exposição são consideradas marcadores indiretos da qualidade do atendimento das unidades hospitalares, pois frequentemente é causada por iatrogenia do cuidado do paciente crítico. As condições oftalmológicas são frequentemente negligenciadas devido à falta de conhecimento sobre os métodos de profilaxia, comprometendo a segurança do paciente. 

A revisão sistemática sobre o tema é importante por conta da enorme variabilidade entre estudos acerca da prevalência e incidência da ceratopatia de exposição (variando de 3,6% até 60%) e dos fatores de risco associados a essa situação, que não estão completamente esclarecidos até o momento. Porém, o conhecimento desses fatores é fundamental para o planejamento das unidades hospitalares, visando a sua prevenção.   

Métodos  

Assim, foi realizada revisão sistemática de literatura de artigos publicados até junho de 2022, com o intuito de identificar a incidência, a prevalência e os fatores de risco da ceratopatia de exposição em pacientes pediátricos e adultos gravemente enfermos.  

Os critérios de inclusão foram: os sujeitos do estudo eram pacientes gravemente enfermos de todas as idades (adultos e crianças); o estudo relatava incidência, prevalência ou fatores de risco para ceratopatia de exposição; e os estudos observacionais (estudo de coorte, estudo de caso-controle ou transversais). Os critérios de exclusão foram: revisões ou meta-análises; resumos de reuniões; relato de casos; cartas ao editor ou comentários; ou estudos experimentais. 

 

Resultado e Discussão  

Entre os 4508 estudos identificados, 23 envolveram 3519 indivíduos e foram incluídos na presente revisão. A prevalência combinada de ceratopatia de exposição foi de 34,0% (34,1% para adultos, 40,9% para crianças) e a taxa de incidência combinada de ceratopatia de exposição foi de 23,0% (26,0% para adultos, 12,0% para crianças). A prevalência de ceratopatia de exposição foi relatada em 14 estudos e 11 descreveram a taxa de incidência. As taxas de incidência se referem ao risco de ceratopatia de exposição de início recente e à qualidade do atendimento em pacientes hospitalizados.  

Os fatores de risco associados a ceratopatia de exposição em pacientes críticos foram: lagoftalmo e quemose; frequência de piscar menor que 5 por minuto; uso de ventilação mecânica e sedação; menor pontuação da Escala de Coma de Glasgow; e maior pontuação APACHE (Avaliação de Fisiologia Aguda e Saúde Crônica) II. A pontuação APACHE II é o sistema mais amplamente relatado e utilizado para pontuar a gravidade da doença em UTI, e pontuações mais altas indicam maior gravidade da doença. 

A análise de subgrupos, que avaliou o tempo de acompanhamento, evidenciou que a taxa de ceratopatia de exposição foi maior quando o tempo de acompanhamento foi superior a sete dias e vice-versa e que mais de sete dias com um paciente sedado e ventilado aumentam o risco de ceratopatia de exposição. Portanto, se o estudo for avaliado em menos de sete dias, a taxa pode ser subestimada. Adicionalmente, poderá existir uma relação potencial que a posição prona, o tempo e a pressão da ventilação mecânica, edema periorbital, drogas vasoativas, opioides, tempo de sedação possam resultar na ceratopatia por exposição. 

 

Limitações 

  • O estudo não conduziu análises de subgrupo em virtude da escassez das informações contidas nos artigos examinados.  
  • Os resultados da análise de fatores de risco foram feitos em odds ratios não ajustados e, para obter um resultado mais confiável e preciso, seria recomendável os ajustar por ventilação mecânica, sedação ou outros fatores de confusão que possam influenciar esse resultado. 
  • Em alguns estudos, determinados fatores de risco para ceratopatia de exposição não foram incluídos, ou apenas alguns fatores de risco foram relatados, comprometendo a análise realizada.  

 

Impactos na prática clínica 

A profilaxia da ceratopatia de exposição deve ser adotada como padrão nas unidades de terapia intensiva, assim como outros protocolos de profilaxia são, como por exemplo, o de trombose venosa profunda.     

Além disso, todos os profissionais de saúde, envolvidos no atendimento aos pacientes críticos, devem ser treinados para reconhecer os fatores de riscos e para aplicar as medidas de prevenção da ceratopatia de exposição, doença com potencial de complicações graves e de interferir na recuperação e qualidade de vida do paciente.     

      

Conclusão 

As altas taxas de prevalência e incidência de ceratopatia de exposição sinalizadas nessa meta análise fortalecem a necessidade de conscientização e treinamento da equipe responsável pelos cuidados de pacientes críticos em relação aos fatores de risco, prevenção e manejo da ceratopatia de exposição. 

 

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Referências bibliográficas

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