A enxaqueca é uma condição fortemente ligada a perda de qualidade de vida e comprometimento das atividades laborais devido à dor. Geralmente, indica-se terapia preventiva (ou profilática) para pacientes com crises frequentes ou prolongadas, com alto comprometimento funcional, com risco de abuso de analgésico, intolerância a terapia abortiva. O objetivo do tratamento preventivo é reduzir a intensidade e frequência dos episódios álgicos, reduzindo a incapacidade e desconforto gerado pelas crises. Existem medicações de primeira e segunda linha para a prevenção da enxaqueca. Hoje falaremos do propranolol, medicação de primeira linha aprovada para esse nesse intuito.
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Por que o propranolol é usado na enxaqueca?
O propranolol é um medicamento betabloqueador não seletivo. Acredita-se que sua ação na prevenção de crises de enxaqueca está no bloqueio de receptores beta adrenérgicos, com redução de ativação simpática e controle de ativação neuronal e vascular cerebral. Tal efeito reduz a frequência e intensidade das crises, sendo uma boa opção de medicação para início de tratamento.
Além disso, é uma medicação eficaz, segura e de baixo custo.
Quem se beneficia mais do propranolol?
O perfil ideal de paciente para uso de propranolol é um adulto com portador de enxaqueca episódica (menos de 15 crises/mês), sem contraindicações ao uso da medicação, como insuficiência cardíaca, bradicardias, asma.
Como iniciar o propranolol na prática?
A dose inicial recomendada é de 40 mg a 80 mg/dia, administrada uma a duas vezes ao dia.
Em alguns casos, pode ser necessário doses mais altas, com titulação sempre acompanhando o risco de efeitos colaterais, especialmente com monitorização de frequência cardíaca.
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O que orientar ao paciente antes de iniciar o uso do propranolol?
O propranolol é um medicamento beta bloqueador, ou seja, reduz a frequência de batimentos do coração. Deve-se orientar o paciente quanto ao perfil de efeitos colaterais esperados e tolerabilidade.
O paciente pode sentir sintomas como tontura, fadiga, baixa tolerância para realização de exercício físico.

Efeitos colaterais e manejo do propranolol
Os principais efeitos colaterais incluem bradicardia, hipotensão, tontura, intolerância ao exercício. Pode ocorrer ainda broncoespasmo. Caso o paciente evolua com sintomas de bradicardia grave, a medicação deve ser descontinuada e avaliar troca por outra.
Em pacientes diabéticos, o seu uso deve ser com cautela, pelo risco de mascarar sintomas de hipoglicemia. Em alguns casos, pode haver sonolência e fadiga, principalmente em idosos, o que exige maior cautela nessa população.
Contraindicações e cuidados especiais
O propranolol deve ser evitado ou usado com cautela em:
- Cardiopatas
- Portadores de asma e DPOC
- Pacientes diabéticos em risco de hipoglicemia
- Alergia a componentes do propranolol
Em idosos, é necessário cuidado especial, pelo maior risco de efeitos colaterais, como hipotensão e quedas. Deve-se preferir medicações de outras classes.
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Acompanhamento e avaliação de resposta ao propranolol
O acompanhamento e controle de tratamento é feito mediante anotação de dias de dor, o chamado diário de dor, onde o paciente registra os dias de crise para serem contabilizados. Espera-se redução em mais de 50% dos dias de crise com o tratamento instituído. Pode-se titular a dose da medicação a fim de otimizar o tratamento e alcançar o resultado ideal.
O seguimento clínico é fundamental uma vez que pode ser necessário realizar a substituição da medicação caso o paciente não alcance o resultado esperado.
Quando suspender ou substituir o propranolol?
Em caso de intolerância a medicação ou ausência de resposta com uso adequado, com persistência de crises, é viável realizar a substituição da medicação.
Quando o paciente apresenta efeitos colaterais mais graves, como bradicardia grave, broncoespasmo ou alergia, é recomendada suspensão da medicação e avaliação pelo médico pela possibilidade de substituir o tratamento.
Mensagens práticas
A enxaqueca é uma condição altamente prevalente, que causa desconforto comprometimento de funcionalidade devido a dor. O propranolol é considerado fármaco de primeira linha na prevenção da enxaqueca, sendo seguro, eficaz e com baixo custo. Deve-se evitar o uso dessa medicação em pacientes cardiopatas, portadores de asma e idosos, pelo maior risco de efeitos colaterais graves. O seguimento regular é recomendado para ajustes necessários no tratamento e controle do caso.
Autoria

Jesus Ventura
Médico graduado pela AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Ipatinga em 2017. Neurologista formado no HCUFMG de 2018 a 2021. Neurologista assistente do IPSEMG. Professor na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais.
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