A síndrome das pernas inquietas (SPI) é uma condição frequente durante a gravidez, afetando significativamente a qualidade do sono e o bem-estar materno. O manejo deve ser cauteloso, priorizando a segurança fetal e focando inicialmente em intervenções não invasivas e na correção de deficiências metabólicas.

Estratégias não farmacológicas e higiene do sono
O tratamento de primeira linha para gestantes baseia-se em medidas não farmacológicas e mudanças no estilo de vida. Recomenda-se a prática de exercícios físicos leves, como caminhadas ou alongamentos, e a implementação de uma higiene do sono rigorosa.
Além disso, é essencial evitar fatores que sabidamente agravam os sintomas da SPI, tais como:
- Consumo de cafeína e derivados;
- Uso de tabaco;
- Utilização de medicamentos que podem exacerbar o quadro (como certos antieméticos e sedativos).
Suplementação de ferro: O pilar do tratamento metabólico
A deficiência de ferro é um dos principais gatilhos para a SPI na gestação. Por isso, a avaliação laboratorial dos estoques de ferro é fundamental para todas as pacientes sintomáticas.
A suplementação, seja por via oral ou intravenosa, deve ser considerada quando:
- Os níveis de ferritina estiverem menores ou iguais a 100 ng/mL;
- A saturação de transferrina for inferior a 20%.
A correção desses níveis frequentemente resulta na remissão ou atenuação drástica dos sintomas, sem a necessidade de fármacos adicionais.
Abordagem farmacológica em casos refratários e graves de síndrome das pernas inquietas
Quando as medidas iniciais e a reposição de ferro não são suficientes, a introdução de medicamentos deve ser discutida sob uma análise rigorosa de risco-benefício, uma vez que faltam dados robustos de ensaios clínicos randomizados nesta população.
Escolha de medicamentos e perfil de segurança
- Gabapentina: É a opção mais considerada para casos graves e refratários, devido ao seu histórico de segurança documentado durante a gestação.
- Agonistas Dopaminérgicos (Pramipexol, Ropinirol): Geralmente não são recomendados para gestantes, dada a escassez de dados de segurança e o potencial risco de efeitos adversos materno-fetais.
- Opioides e Benzodiazepínicos: Reservados apenas para situações excepcionais e de extrema refratariedade, exigindo monitoramento especializado.
O manejo deve priorizar intervenções não farmacológicas e correção de deficiência de ferro, reservando medicamentos para casos graves e refratários, com escolha baseada no perfil de segurança materno-fetal.
Autoria

Victor Fiorini
Médico formado pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. Residência de Clinica Médica pela UNIFESP. Residência de Neurologia Clínica pelo HCFMUSP. Professor de Neurologia na Afya Educação Médica. Professor de Urgências e Emergências do Hospital Israelita Albert Einstein. Professor de Neurologia do Curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo (2013-2024). Autor de capítulos de Livros na Área de Neurologia. Médico do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.
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