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Neurologia26 fevereiro 2025

Série Parkinson: Recomendações ao paciente com doença de Parkinson 

Neste terceiro da série sobre a doença de Parkinson, veremos as melhores indicações para o manejo da doença pelo lado do paciente

A doença de Parkinson, assim como outras doenças crônicas e neurodegenerativas, é um grande desafio para o paciente e seus familiares. 

O momento do diagnóstico pode ser desafiador, assim como o período seguinte de tratamento e mudanças no estilo de vida, afetando a atividade laboral, ambiente familiar e a própria autopercepção do paciente. 

Nesse contexto, a caminhada com a doença pode ser facilitada quando amparada por suportes bem definidos. De forma que podem impactar positivamente na prevenção de incapacidades, eficácia terapêutica e na qualidade de vida como um todo. 

No texto de hoje da série de doença de Parkinson pelo Portal Afya, abordaremos algumas das principais recomendações ao paciente com doença de Parkinson. 

Foco na aderência terapêutica 

O tratamento farmacológico da doença de Parkinson é efetivo e muito bem definido no panorama atual da medicina, porém não é raro na prática ambulatorial os desafios de aderência terapêutica. 

Seja na tomada da Levodopa nos horários bem definidos, seja na progressão de dose de uma medicação adjuvante, intercorrências podem surgir e impactar diretamente no seguimento clínico do paciente. 

É necessário um efetivo vínculo médico-paciente, pautado na confiança e suporte para as adversidades terapêuticas, assim como o correto seguimento das prescrições médicas. Isso pode ser definidor para a percepção subjetiva e objetiva de melhora do paciente, traduzindo o efeito terapêutico na realidade cotidiana. 

Necessidade de suporte psicológico 

É de forte recomendação o suporte psicológico para os pacientes, uma vez que estão passando por um momento de grandes mudanças gerais e no estilo de vida, assim como alterações nas relações familiares e de cuidado. 

A dependência familiar, sensação de incapacidade e a autoimagem na perspectiva da doença, podem gerar grande impacto psicológico, sendo fatores precipitantes de transtornos de humor. 

O suporte de psicoterapia é fundamental nessa etapa de transformação e adaptação, algo que pode ocorrer de diferentes maneiras. Tal suporte pode ocorrer em modalidades individuais e também em grupo, gerando efeitos terapêuticos somatórios, assim como pode envolver os familiares e cuidadores. 

Importância da reabilitação neurológica 

O processo de reabilitação neurológica deve ser amplo e precoce, uma vez que é fator decisivo na evolução de incapacidades e no grau de comprometimento funcional dos pacientes. 

Os pilares principais são o seguimento fisioterápico geral, com foco nas modalidades motoras e respiratórias, ajudando em diversas manifestações da doença, como a instabilidade de marcha, bradicinesia e freezing. 

A atenção fonoaudiológica não é menos importante, uma vez que a disfagia e risco de broncoaspiração são uma realidade impactante, muitas das vezes pouco afetada pelas terapias medicamentosas, porém com grande melhora na reabilitação. O suporte fonoaudiológico também é essencial para auxílio na fonação e fala. 

Além das já citadas, cuidados de terapia ocupacional, musicoterapia e outras modalidades de cuidado podem ser úteis e encorajadas, de acordo com o perfil clínico do paciente. 

Papel da atividade física 

A prática de atividades físicas não poderia ser esquecida, sendo um ponto crucial para o impacto funcional do paciente.  

As atividades físicas podem ser diversas e multimodais, indo desde atividades de resistência, hidroginástica e até mesmo dança. A escolha vai ser pautada pelas preferências do paciente e capacidade de acesso. 

Diversos estudos geram evidências que suportam a necessidade de atividade física na composição do plano terapêutico ideal, gerando impactos no grau de progressão de sintomas motores, álgicos e até mesmo sintomas não motores. 

O tipo de atividade não é mais importante do que a constância na prática. Idealmente devem ser realizados pelo menos 150 minutos por semana, gerando estímulos de intensidade moderada. 

Suporte nutricional 

Não menos importante, o suporte nutricional é parte fundamental para o sucesso terapêutico do paciente com Parkinson, gerando impacto no sucesso de outras medidas já citadas. 

O aumento metabólico próprio da doença já é capaz de aumentar o risco de má nutrição e sarcopenia nos pacientes, demandando suportes alimentares bem definidos. 

Uma dieta específica não é estabelecida, porém com o suporte de um nutricionista um panorama alimentar pode ser estabelecido, guiando uma alimentação balanceada e adequada para ganhos terapêuticos. 

A melhora alimentar pode impactar no ganho de massa muscular e capacidade física, melhorando resultados funcionais, assim como otimizar medidas para resolução de constipação, contexto típico na doença de Parkinson. 

Cuidados de segurança 

A segurança do paciente é um fator primordial no ambiente domiciliar e também fora dele. 

A avaliação médica e de fisioterapeutas é fundamental para guiar intervenções nos ambientes de acesso do paciente e também em comportamentos gerais, como dirigir sozinho e sair de casa sem acompanhantes. 

No domicílio, medidas de prevenção de quedas são o grande destaque, principalmente com o avançar da doença. A iluminação adequada, retirada de tapetes móveis e a instalação de barras de apoio, são algumas das intervenções possíveis, gerando grande impacto na prevenção de quedas e traumatismos. 

Série Parkinson: Recomendações ao paciente com doença de Parkinson 

Mensagem prática: Recomendações ao paciente com doença de Parkinson 

O cuidado terapêutico da doença de Parkinson é amplo e interligado com diversas práticas e cuidados interdisciplinares, demandando uma visão global do paciente e seu ambiente de cuidados. 

As recomendações citadas no texto são diversas e com impactos profundos na melhora da qualidade de vida do paciente, não devendo ter realização de forma individual, mas sim como um cuidado complementar e integrado. 

Este é o terceiro artigo da série sobre a doença de Parkinson. Estamos discutindo muitos pontos importantes sobre essa condição, como recomendações ao paciente, tratamento farmacológico e quando indicar ou não cirurgia. Fique por dentro! 

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Referências bibliográficas

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