Os ensaios de fase 3 REMODEL-1 e REMODEL-2, publicados na The Lancet, mostraram que o remibrutinibe superou a teriflunomida na esclerose múltipla recorrente. Houve ainda tendência de menor progressão da incapacidade, sem sinal de alerta na segurança hepática.
Os dados são de 407 centros em 46 países. Foram randomizados 2.007 adultos, que receberam remibrutinibe 100 mg duas vezes ao dia ou teriflunomida 14 mg diária por até 30 meses. A taxa anualizada de surtos caiu 35,2% e 31,2%, o que corresponde a cerca de um surto a cada 13 anos.

Risco de progressão da incapacidade confirmada cai 29,2%
Na metanálise, a progressão da incapacidade confirmada em 6 meses atingiu 7,7% dos pacientes com remibrutinibe e 10,5% com teriflunomida aos 24 meses. A redução de risco de 29,2% teve significância apenas nominal. Já a queda de 20,5% na progressão confirmada em 3 meses não foi significativa.
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Ressonância magnética revela menos lesões cerebrais com o inibidor
O remibrutinibe é um inibidor oral, covalente e seletivo de BTK que atinge o sistema nervoso central. O medicamento modula células B e mieloides, como a micróglia, sem depletar linfócitos B.
Na ressonância magnética, a taxa anualizada de lesões T2 novas ou aumentadas caiu 65,3% e 70,3% frente à teriflunomida. As lesões captantes de gadolínio em T1 recuaram 66,3% e 66,2%, sinal de menor atividade inflamatória cerebral.
No conjunto, 55,0% dos tratados com remibrutinibe ficaram livres de surtos, progressão e novas lesões T2. Com teriflunomida, a proporção foi de 32,1%, diferença de significância nominal.
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Segurança hepática permanece sem sinal de alerta nos ensaios
A ALT acima de 3 vezes o limite superior surgiu em 2,0% dos pacientes com remibrutinibe e 7,4% com teriflunomida. Não houve casos compatíveis com a lei de Hy, já descritos com evobrutinibe, tolebrutinibe e fenebrutinibe. Um comitê independente de hepatologia não identificou risco de hepatotoxicidade pelo medicamento.
Sangramentos foram mais frequentes com remibrutinibe, em 12,7% contra 6,7%, sobretudo petéquias e contusões. A descontinuação por eventos adversos foi de 3,1% contra 5,8%.
Para os autores, diferenças de segurança hepática entre inibidores de BTK podem refletir propriedades de cada molécula, como estrutura química e seletividade. A extensão aberta, com remibrutinibe por até 5 anos, deve trazer dados de eficácia sustentada e segurança prolongada.
O remibrutinibe ainda não possui aprovação para o tratamento da esclerose múltipla recorrente. A fabricante pretende submeter os dados às autoridades regulatórias.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Luciano Lucas
Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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