A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa devastadora, mas o advento de terapias gênicas tem trazido novas perspectivas para subtipos específicos. O Tofersen representa um marco como terapia modificadora da doença, focada especificamente em pacientes que possuem mutações no gene da superóxido dismutase 1 (SOD1).

Mecanismo de ação e redução da toxicidade genética
O Tofersen opera como um oligonucleotídeo antissenso (ASO) administrado por via intratecal. Sua função principal é ligar-se ao RNA mensageiro (mRNA) do gene SOD1, promovendo sua degradação através da enzima RNase H. Esse processo resulta na redução direta da síntese da proteína SOD1. O objetivo clínico é mitigar o “ganho de função” tóxico causado pelas mutações no gene, que é o pilar fisiopatológico central da ELA-SOD1.
Ao atacar a raiz genética da patologia, o medicamento consegue reduzir biomarcadores críticos de neurodegeneração e lesão axonal, como os níveis de neurofilamento no plasma e da própria proteína SOD1 no líquido cefalorraquidiano (líquor).
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Indicações clínicas e a importância do teste genético
O uso do Tofersen não é universal para todos os casos de esclerose lateral amiotrófica. As indicações são restritas a:
- Adultos com diagnóstico confirmado de ELA associada a variantes patogênicas no gene SOD1.
- Comprovação genética obrigatória, sendo aplicável tanto para casos familiares quanto para apresentações esporádicas da doença.
- Uso exclusivo para ELA-SOD1, não havendo indicação para pacientes sem essa mutação específica ou com outras formas genéticas da enfermidade.
Essa especificidade reforça a necessidade de triagem genética precoce em pacientes diagnosticados com ELA, permitindo que a terapia seja iniciada o quanto antes para otimizar os resultados funcionais.
Eficácia clínica, impacto funcional e segurança
Estudos demonstram que a administração de Tofersen está correlacionada a um menor declínio funcional, preservando por mais tempo a força muscular e a capacidade respiratória dos pacientes, especialmente quando o tratamento é instituído logo após o diagnóstico. A intervenção precoce é um fator determinante para a magnitude do benefício terapêutico.
Quanto ao perfil de segurança, o tratamento é geralmente bem tolerado. Os eventos adversos registrados são, em sua maioria, relacionados ao próprio procedimento de administração intratecal. Embora eventos neurológicos graves tenham sido relatados, estes são considerados raros e, na maioria das vezes, reversíveis. Assim, o Tofersen consolida-se como uma opção terapêutica precisa e inovadora para um grupo selecionado de pacientes, alterando a trajetória natural de uma das formas mais agressivas de ELA.
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Autoria

Victor Fiorini
Médico formado pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. Residência de Clinica Médica pela UNIFESP. Residência de Neurologia Clínica pelo HCFMUSP. Professor de Neurologia na Afya Educação Médica. Professor de Urgências e Emergências do Hospital Israelita Albert Einstein. Professor de Neurologia do Curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo (2013-2024). Autor de capítulos de Livros na Área de Neurologia. Médico do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.
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