Pesquisadores canadenses identificaram associação entre ultraprocessados, adiposidade e lesões vasculares cerebrais em estudo publicado na JAMA Network Open em outubro de 2026. A investigação avaliou exames de imagem e desempenho cognitivo de adultos de meia-idade, sem identificar associação consistente com os testes cognitivos.
A análise transversal reuniu 8.783 participantes de duas coortes do Canadá, sem doença cardiovascular prévia. O consumo alimentar foi estimado por questionários, enquanto a gordura corporal e as alterações cerebrais foram avaliadas por métodos padronizados.

Adiposidade é maior no grupo de alto consumo
Na comparação dos extremos de consumo, o grupo com maior ingestão apresentou percentual de gordura corporal 1,7 ponto percentual superior. Além disso, apresentou volume de gordura visceral 5,7 mL maior, associação relevante para a caracterização da adiposidade nessa população.
Não houve diferença estatisticamente significativa na fração de gordura hepática entre os grupos. Os resultados sobre composição corporal permaneceram consistentes em diferentes formas de análise da ingestão.
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Lesões vasculares cerebrais têm associação com o consumo?
Na ressonância magnética, a maior ingestão esteve associada a chances superiores de lesões vasculares cerebrais subclínicas (OR ajustada de 1,40). A prevalência dessas alterações passou de 8,1% no menor quartil para 11,3% no maior quartil.
Essa associação enfraqueceu quando os pesquisadores expressaram o consumo como proporção das calorias ou das porções alimentares. Além disso, o desenho transversal não permite estabelecer se os ultraprocessados precederam as lesões.
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Estudo brasileiro identifica declínio cognitivo acelerado
No Brasil, o ELSA-Brasil (2023) acompanhou 10.775 servidores públicos de seis cidades, com seguimento mediano de oito anos (de 2008 a 2017). O estudo avaliou a relação entre declínio cognitivo e participação de ultraprocessados na ingestão calórica.
Acima de 19,9% das calorias provenientes desses alimentos, observou-se velocidade 28% maior de declínio cognitivo global e 25% maior nas funções executivas. Esses percentuais descrevem diferenças na velocidade de declínio, não risco de demência.
O estudo brasileiro acompanhou mudanças cognitivas, mas não utilizou neuroimagem para investigar lesões vasculares. Assim, os resultados brasileiros ampliam a perspectiva temporal das associações com ultraprocessados, sem demonstrar que as lesões canadenses expliquem o declínio cognitivo.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Bruna Lupp
Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.
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