Uma meta-análise de 51 estudos de coorte prospectivos com cerca de 8,8 milhões de adultos encontrou associação entre maior consumo de alimentos ultraprocessados e sete grupos de desfechos adversos. Publicado na Family Medicine and Community Health, o trabalho identificou relações dose-resposta para parte dos desfechos avaliados, seguindo a classificação NOVA, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP.

Alto consumo eleva o risco de sete desfechos clínicos
Na comparação entre os grupos de maior e menor consumo de ultraprocessados, foram observados os seguintes aumentos relativos nas estimativas de risco:
- Doenças digestivas: 31%
- Depressão ou ansiedade: 27%
- Eventos cardiovasculares: 24%
- Síndrome metabólica ou diabetes: 24%
- Sobrepeso ou obesidade: 23%
- Mortalidade geral: 18%
- Câncer: 12%
Para os autores, essa amplitude sugere que a dieta atua como determinante comum da multimorbidade.
Na comparação entre os grupos de maior e menor consumo, não foi observada associação estatisticamente significativa para hipertensão e retocolite ulcerativa. Pela avaliação GRADE, a certeza da evidência foi moderada para sobrepeso ou obesidade, muito baixa para hipertensão e baixa para os demais desfechos.
Como se comporta a relação dose-resposta a cada 100 gramas por dia?
Na análise de dose-resposta, cada acréscimo de 100 gramas por dia no consumo de ultraprocessados esteve associado a estimativas de risco 14% maiores para eventos cardiovasculares e 11% maiores para hipertensão. Para câncer e mortalidade por todas as causas, os aumentos relativos foram de 4% e 3%, respectivamente. Essa análise avalia incrementos no consumo e difere da comparação entre os grupos de maior e menor ingestão. Os resultados não estabeleceram um nível de consumo comprovadamente seguro.
Na proporção da dieta, cada 10% a mais do peso ou da energia diária se associou a risco 16% maior de síndrome metabólica ou diabetes. A heterogeneidade alta em alguns desfechos afeta a magnitude, mas não a direção da associação.
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Autores sugerem redução gradual do consumo na atenção primária
O Nupens define a NOVA pela extensão e pelo propósito do processamento. Os autores ponderam que o critério agrupa itens de efeitos distintos, como pães integrais e bebidas açucaradas. Autorrelato alimentar e confusão residual limitam os achados.
Na atenção primária, os autores sugerem reduzir gradualmente os alimentos ultraprocessados até aproximadamente 10% a 20% da energia diária. A troca por alimentos minimamente processados, ajustada ao consumo basal e ao contexto socioeconômico, pode ser mais sustentável que a simples restrição.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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