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Infectologia25 janeiro 2026

Sarampo volta a preocupar: EUA enfrentam pior surto da doença em 30 anos

Queda na cobertura vacinal impulsiona o ressurgimento do sarampo nos EUA e reacende alerta global para riscos evitáveis.

A Global Virus Network (GVN) emitiu um alerta manifestando “profunda preocupação com o ressurgimento contínuo do sarampo” nos Estados Unidos e em outras regiões do mundo. O posicionamento ocorre em meio ao pior surto da doença em mais de três décadas no território norte-americano e reacende o debate sobre a queda da cobertura vacinal e as fragilidades dos sistemas de saúde pública.

Saiba mais: Américas perdem o certificado de região livre de sarampo

Em 2025, os Estados Unidos registraram mais de 2.242 casos de sarampo em 45 estados. Pelo menos 11% dos pacientes precisaram ser hospitalizados, incluindo crianças pequenas, e houve três mortes confirmadas. Altamente contagioso, o sarampo pode causar complicações graves e fatais, sobretudo entre pessoas não vacinadas, embora seja prevenível por meio da vacina tríplice viral, que também protege contra rubéola e caxumba.

No Brasil, a imunização com a tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com primeira dose aos 12 meses e segunda aos 15 meses de idade, além da vacinação de pessoas mais velhas que não receberam o esquema completo na infância. Apesar da eficácia e segurança comprovadas, a cobertura vacinal caiu a partir de 2015. Mesmo com recuperação parcial desde 2022, o índice de crianças com duas doses permaneceu abaixo da meta de 95% em 2025, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde.

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Ainda assim, o Brasil recuperou em 2024 o certificado de eliminação do sarampo, após dois anos sem transmissão local. A conquista havia levado a Região das Américas a ser reconhecida como livre da doença, status perdido em novembro do ano passado devido a surtos prolongados no Canadá.

De acordo com a GVN, os surtos devem persistir no início de 2026. Autoridades alertam que EUA e Canadá podem perder o status de eliminação se a transmissão continuar. Na Carolina do Sul, por exemplo, mais de 600 casos foram registrados desde outubro, a maioria entre pessoas não vacinadas.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) apontam 12.596 casos confirmados de sarampo em 10 países das Américas em 2025 até novembro, aumento de 30 vezes em relação ao ano anterior, com 28 mortes. Diante do cenário, a GVN defende o fortalecimento da imunização de rotina, da vigilância epidemiológica e do combate à desinformação como medidas essenciais para conter novos surtos.

Autoria

Foto de Roberta Santiago

Roberta Santiago

Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.

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