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Infectologia15 janeiro 2026

Impacto do nirmatrelvir–ritonavir no risco de covid longa em alto risco 

Estudo avaliou a relação entre o uso do nirmatrelvir-ritonavir e a incidência de complicações da covid longa
Por Camila Rangel

A síndrome pós-covid-19 ou “covid longa” ocorre quando os efeitos da infecção por SARS-CoV-2 persistem por semanas ou meses após a fase aguda da doença, e afeta milhares de pessoas. Os sintomas mais comuns incluem fadiga, mal-estar pós-esforço, palpitações cardíacas, falta de ar e confusão mental. O uso do antiviral Nirmatrelvir–Ritonavir (NMV-r) consolidou-se como uma intervenção eficaz para reduzir hospitalizações e óbitos na fase aguda da covid-19 em pacientes de alto risco. Contudo, a eficácia do fármaco em prevenir a síndrome pós-covid-19 — definida como a persistência de sintomas ou novas condições clínicas após a fase aguda — permanecia incerta, especialmente em diferentes faixas etárias. Este estudo avaliou a relação entre o uso do Nirmatrelvir-ritonavir e a incidência de complicações pós-covid em adolescentes e adultos. 

Metodologia 

Coorte retrospectiva realizada utilizando-se dados de uma base multi-institucional dos EUA, que pareou 291.433 pacientes tratados com NMV-r com 582.866 controles (proporção 1:2) via Propensity Score Matching. 

  • Critérios de Inclusão: diagnóstico confirmado, elegibilidade para antiviral e idade ≥ 12 anos. 
  • Desfecho Primário: incidência de qualquer uma das 45 condições clínicas associadas à covid longa. 
  • Ajustes: Foram considerados status vacinal, comorbidades (índice de Charlson), tabagismo e utilização prévia de serviços de saúde. 

Resultados 

O estudo demonstrou que o benefício do NMV-r na prevenção da covid longa é altamente dependente da idade: 

  • Idosos (≥ 65 anos): Apresentaram a maior redução de risco, com um Hazard Ratio (HR) ajustado de 0,88 [IC 95%, 0,87–0,90], indicando uma proteção significativa contra sequelas persistentes. 
  • Adultos (50–64 anos): Também apresentaram benefício protetor, com HR ajustado de 0,93 [IC 95%, 0,92–0,95]. 
  • Adultos Jovens (18–49 anos): A redução de risco foi marginal, com HR ajustado de 0,98 [IC 95%, 0,96–1,00]. 
  • Adolescentes (12–17 anos): Não foi observada associação estatisticamente significativa entre o tratamento e a redução de condições pós-covid (HR 1,06 [IC 95%, 0,66–1,73]). 

O estudo apontou limitações relevantes, incluindo a impossibilidade de aferir a adesão estrita ao regime terapêutico, possíveis vieses de classificação inerentes aos registros eletrônicos de saúde, a influência de fatores de confusão não mensurados e o uso de outros antivirais que não o NMV-r. 

Impacto do nirmatrelvir–ritonavir no risco de covid longa em alto risco 

Mensagem prática: nirmatrelvir–ritonavir no risco de covid long

Os achados sugerem que o tratamento precoce da covid-19 em idosos de alto risco oferece o benefício adicional de reduzir a incidência de complicações a longo prazo. Para adolescentes entre 12 e 17 anos, contudo, esse benefício preventivo não foi demonstrado. Na prática clínica, a prescrição de NMV-r para pacientes com quadros leves a moderados e alto risco de progressão — particularmente aqueles acima de 50 anos — deve ser considerada não apenas para evitar hospitalização e óbito, mas como uma estratégia potencial para mitigar as consequências da doença a longo prazo.

Autoria

Foto de Camila Rangel

Camila Rangel

Médica graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 2018. Infectologista pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais de 2019 a 2022. Mestra pela Faculdade de Medicina da UFMG em 2025. Infectologista do Controle de Infecção Hospitalar do HC-UFMG e Auditora Médica da Unimed Federação Minas.

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Referências bibliográficas

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