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Infectologia27 outubro 2026

Hantavirose tem letalidade de 51% e exige diagnóstico precoce

Com quatro casos e um óbito registrados em São Paulo em 2026, autoridades de saúde reforçam a importância da suspeita clínica e notificação imediata.
Por Gabriela Costa

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reforçou, em 26 de outubro de 2026, a importância da identificação precoce da hantavirose e da investigação imediata dos casos suspeitos. Desde 2007, o estado registrou 199 casos e 101 óbitos, correspondentes à letalidade acumulada de aproximadamente 51%. Até setembro de 2026, foram confirmados quatro casos, com um óbito.

A hantavirose é uma zoonose viral aguda transmitida principalmente pela inalação de aerossóis contaminados por urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. No Brasil, a doença manifesta-se predominantemente como síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH), caracterizada por aumento da permeabilidade vascular, que pode provocar edema pulmonar não cardiogênico, insuficiência respiratória aguda e choque.

Quando suspeitar de hantavirose na avaliação clínica?

Na avaliação de pacientes com síndrome febril aguda, a anamnese deve considerar a permanência em ambientes com presença ou vestígios de roedores silvestres. 

As manifestações iniciais são inespecíficas e incluem febre, mialgia, mal-estar, náuseas, vômitos e dor abdominal. A evolução para dispneia, taquipneia ou hipotensão deve alertar para possível comprometimento cardiopulmonar e necessidade de avaliação imediata.

Saiba mais: Hantavírus: guia prático de diagnóstico, transmissão e tratamento 

Síndrome cardiopulmonar pode evoluir rapidamente

Após uma fase inicial de sintomas inespecíficos, a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH) pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória aguda e choque circulatório. A progressão está relacionada ao aumento da permeabilidade capilar, que favorece o extravasamento de líquidos para o interstício e os alvéolos pulmonares, provocando edema pulmonar não cardiogênico e hipoxemia.

Casos suspeitos exigem notificação imediata

A hantavirose é uma doença de notificação compulsória imediata, devendo os casos suspeitos ser comunicados à vigilância epidemiológica em até 24 horas, sem aguardar a confirmação laboratorial. A investigação inclui avaliação do histórico de exposição, identificação do provável local de infecção e coleta de amostras para diagnóstico, principalmente por métodos sorológicos e moleculares.

A confirmação laboratorial pode ser realizada pela detecção de anticorpos IgM específicos ou pela identificação do RNA viral por RT-PCR. A investigação epidemiológica permite reconhecer possíveis fontes de exposição e orientar medidas de controle ambiental, especialmente em áreas com circulação de roedores silvestres.

Exposição ambiental orienta investigação epidemiológica

A investigação epidemiológica deve considerar atividades em ambientes com possível presença de roedores silvestres, como galpões, depósitos, construções rurais e imóveis fechados por longos períodos. A manipulação de materiais contaminados e a limpeza desses espaços podem favorecer a dispersão de aerossóis contendo partículas virais.

Diante da elevada letalidade e do risco de deterioração clínica rápida, a hantavirose deve integrar o diagnóstico diferencial de síndromes febris agudas, especialmente em pacientes com histórico de exposição a roedores silvestres. O reconhecimento precoce, a avaliação de sinais de comprometimento cardiopulmonar e a notificação imediata são fundamentais para orientar a assistência e a resposta da vigilância epidemiológica.

Leia mais: Hantavírus: revisão sobre transmissão, diagnóstico, prevenção e desafios globais 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

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